Geral

Principal avenida de Maceió tem apenas 7 lixeiras; prefeitura culpa vandalismo

Além da quantidade, que não supre as necessidades dos transeuntes diários, ao longo dos dias vão surgindo situações de improviso, como sacos plásticos pendurados

Por Alkeline Matias* e Ylailla Moraes* 17/11/2023 12h12 - Atualizado em 17/11/2023 15h03
Principal avenida de Maceió tem apenas 7 lixeiras; prefeitura culpa vandalismo
Ponto de ônibus com lixeira improvisada na Fernandes Lima, em Maceió - Foto: Alkeline Matias

A Avenida Fernandes Lima, principal avenida de Maceió, capital de Alagoas, possui apenas 7 lixeiras públicas ao longo de seus quase 5 quilômetros de extensão. A situação de “abandono” para o descarte correto de lixo e as más condições dos pontos de ônibus na via é alvo de reclamações da população.

Ao Jornal de Alagoas, uma moradora, que aguardava o transporte coletivo e não quis se identificar, relatou o desconforto em relação à falta dos pontos de coleta, que, segundo ela, é insuficiente.

“A gente, geralmente, só vê lixeiras em grandes avenidas e nos canteiros”, além disso, relatou a carência de lixeiras em trechos menores da cidade, dizendo: “isso acaba não incentivando as pessoas que não tem aquela disciplina de guardar o lixo dentro da bolsa”, completa ela.

Além da quantidade, que não supre as necessidades dos transeuntes diários, ao longo dos dias vão surgindo situações de improviso, como sacos plásticos pendurados, ou caixas de papelão que acumulam lixo ao longo das ruas. Essas tentativas de solucionar os problemas, feitas pela própria população e por comerciantes da área.


A opinião popular se divide. Um vendedor próximo a um ponto de ônibus afirmou que há grande responsabilidade por parte da população, em relação a depredação das lixeiras que são distribuídas : "Não adianta botar lixeira que eles [ os vândalos ] quebram. Aí hoje não tá, hoje tá limpinho. O rapaz passou da coleta de manhã passando. Eles passam todo dia de manhã. De dez e meia”, afirma ele.

Segundo Marina, estudante de Letras da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), essa questão também está atrelada às atitudes dos próprios cidadãos, em relação ao descarte:

“A gente não é ensinado a limpar as coisas quando a gente suja. Por exemplo, na escola ou em casa mesmo. Desde pequenininho, quando a gente suja, sempre tem um adulto que limpa” ela finaliza sua fala, afirmando que muitas pessoas “terceirizam a limpeza”, já que existem profissionais que são destinados ao recolhimento dos resíduos.

Gabriel trafegava pelo trajeto e também enfatizou a importância de lixeiras em locais estratégicos: "Deveria, assim como em todo posto público, toda esquina ter um lixeiro para a pessoa jogar o lixo, assim vai evitar espalhar mais ainda o lixo no meio urbano."

Pontos de ônibus


Além da falta de lixeiras, alguns moradores também expressaram à reportagem preocupações com a inadequação dos pontos de ônibus, incluindo a falta de segurança, iluminação precária e estruturas deterioradas. Um dos entrevistados, que também preferiu não se identificar, destacou: "Os pontos de ônibus, de fato, estão abandonados”, ela completa que existe uma grande preocupação em relação a casos de violência e assaltos na região.

Outros moradores comentaram a necessidade de uma infraestrutura urbana adequada. Jonas Augusto comentou: "A infraestrutura urbana afeta muito nesse quesito, porque além da falta dos lixeiros nos pontos de ônibus, tem locais que muitas vezes nem tem a estrutura do ponto em si, e devido a isso não tem o alicerce para ter mais alguma estrutura além dessa.", afirma ele.

Quanto ao descarte irregular de lixo, a ação é proibida no desde 1954, pela Lei 2.312 de 3 de setembro, pelo Código Nacional da Saúde. Essa proibição foi reforçada em 1981 pela Política Nacional de Meio Ambiente, e recentemente no Brasil em 2010, pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

A Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (ALURB) atribui ao vandalismo o problema de ausência de lixeiras na cidade. Confira a nota da autarquia:

A Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (ALURB) informa que várias papeleiras foram danificadas por transeuntes da região. No entanto, o órgão já tem um mapeamento da avenida e estuda fazer a instalação de mais lixeiras na localidade.

Para fazer denúncias e solicitações, o cidadão deve ligar diretamente nos canais da Central de Monitoramento da ALURB, que atende pelo 0800 082 2600, pelo número 156 ou pelo whatsapp 98802-4834.



*Estagiárias sob supervisão