Geral

'O crime teve proteção das instituições alagoanas', diz juiz

Em coletiva, o magistrado aposentado Marcelo Tadeu revela não ter ficado surpreso com delito orquestrado contra ele em 2009

Por Redação com Com informações do Cada Minuto 09/04/2021 15h03
'O crime teve proteção das instituições alagoanas', diz juiz
Foto: Maria Luiza

Nessa quinta-feira (08), a Polícia Federal indiciou o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, como autor intelectual na morte do advogado Nudson Harley, em 2009. Segundo as investigações, o homicídio teria acontecido por engano, o alvo na verdade era o juíz Marcelo Tadeu, hoje aposentado.

Após divulgação dos fatos, o juiz aposentado concedeu uma coletiva na manhã desta sexta-feira (09) e disse que “não ficou surpreso com as revelações que foram anunciadas ontem”, de que o delegado-geral teria envolvimento no atentado contra ele. Para imprensa, o juiz aposentado acredita que as situações que ele atuou podem ter gerado uma insatisfação na visão coronelista em Alagoas. E questionou se “a quem o delegado atendeu mandando matá-lo é quem o mantém no poder há 10 anos”.

O juiz aposentado era considerado um magistrado “linha dura”. Ele tinha um histórico diferente dos outros integrantes do Judiciário. Ele ajudou a colocar, atrás das grades, integrantes da Gangue Fardada- organização criminosa formada por policiais militares e mantida financeiramente por usineiros e políticos de Alagoas; denunciou um usineiro na morte do tributarista Sílvio Vianna; lavrou algumas decisões que foram incômodas, como tomar bens dos milionários do setor do açúcar e álcool; e cassou o mandato do prefeito -irmão do desembargador que teria elaborado o plano de morte- e do vice. Ele acredita que essas situações geraram uma insatisfação.

Segundo Marcelo, ele ficou consternado com o advogado que morreu no lugar dele, no dia 3 de julho de 2009. “Eu tinha certeza de que o crime era pra mim”. Na época, algumas pessoas chegaram a desconfiar de que o crime tinha sido para o juiz aposentado.

O juiz também relatou que, na época do crime, chegou a procurar o governador Teotônio Vilela para falar sobre o caso. Porém, não teve resposta. Foi aí que ele buscou o delegado Paulo Cerqueira. “Eu questionei a arma ser da polícia e disse que acreditava ser uma crime de execução”. Mas o delegado não o ouviu e não quis saber da linha de investigação voltada para execução. “Ele jogou como se fosse um crime passional, mas não achei que isso tivesse relação”.

Somente um ano e meio depois que o juiz foi ouvido pela polícia. “Eu não entendia a postura do delegado que estava se negando a ouvir um magistrado que estava na cena do crime”.

Sem apoio

Marcelo enfatizou que na época não teve apoio nem mesmo do próprio Judiciário. “Bati na porta de vários locais, inclusive do Ministério Público, e não tive apoio”.

Instituições envolvidas

O juiz aposentado voltou a reforçar que o crime teve proteção das instituições alagoanas. “Imagine a Polícia Civil apurar algo que a própria polícia está envolvida”. Ele também pediu que se investigassem as instituições para saber quem está mais envolvido. 

O advogado de defesa, Thiago Pinheiro, afirmou que só ontem receberam acesso e senha pra acompanhar o caso e reforçou que houve manipulação de provas durante as investigações.