Esportes

Justiça suspende organizadas de CSA, CRB e Sport de ir aos estádios

Medida determina afastamento das arquibancadas, bloqueio de redes e veto a símbolos

Por Redação 25/09/2026 18h06
Justiça suspende organizadas de CSA, CRB e Sport de ir aos estádios
Justiça suspende organizadas de CSA, CRB e Sport de ir aos estádios - Foto: Reprodução/SSP

A Justiça de Alagoas determinou a suspensão das torcidas organizadas Mancha Azul, do CSA, Comando Alvi Rubro, do CRB, e Torcida Jovem, do Sport, impedindo o acesso desses grupos aos estádios do estado. A sentença estabelece o afastamento das praças esportivas alagoanas pelo período de um ano para as facções locais e de dois anos para a torcida pernambucana. A medida proíbe a aglomeração de integrantes em um raio de 5 km das arenas, no intervalo entre três horas antes e três horas depois dos jogos, veta a utilização de adereços das uniformizadas e ordena a derrubada de 20 contas no Instagram ligadas ao grupo azulino e 13 associadas à facção regatiana.

As sanções impostas às torcidas do CRB e do Sport tiveram como estopim os conflitos registrados na partida do dia 15 de setembro, no Estádio Rei Pelé, quando o time alagoano venceu o pernambucano por 2 a 1. Durante o jogo, os visitantes tentaram romper o bloqueio entre os setores e enfrentaram o efetivo da Polícia Militar, ferindo dois agentes. A contenção do tumulto exigiu a intervenção do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que utilizou munição de borracha e artefatos de efeito moral.

A inclusão da Comando Alvi Rubro na punição fundamentou-se no relatório do delegado do confronto, que registrou a tentativa de invasão por parte dos torcedores locais: "Devido à provocação da torcida visitante, a torcida mandante (Clube de Regatas Brasil) tentou invadir a mesma área, entrando em confronto com o policiamento presente. O policiamento foi reforçado e foi usada a força policial contra a torcida visitante primeiramente e, após, contra a torcida mandante, para dispersar as duas torcidas. Informo ainda que foram arremessados objetos no campo de jogo do lado onde se encontrava a torcida mandante (copos, chinelos, entre outros)". Vários integrantes do Sport assinaram Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e um torcedor pernambucano acabou preso por conta de um mandado em aberto na 12ª Vara Criminal da Capital.

Em relação à Mancha Azul, o processo judicial reuniu uma série de ocorrências violentas recentes. O documento lembra os distúrbios nas arquibancadas do Rei Pelé em agosto de 2025, no empate por 2 a 2 entre CSA e Ituano pela Série C, episódio marcado por explosões de bombas e uso de gás lacrimogêneo pela PM. Na ocasião, a diretoria do CSA cobrou apuração dos fatos em nota oficial: "Não é admissível que torcedores sejam agredidos no maior palco do nosso futebol. Que sejam identificados aqueles que excedem em suas atitudes, mas que sejam preservados os que não têm relação com essa situação. Exigimos providências".

A decisão reúne também outros crimes apurados pela polícia atribuídos a integrantes da organizada do CSA: um ataque com bombas contra um veículo ocupado por rivais no bairro do Poço, em novembro de 2025; o espancamento com barras de ferro que provocou traumatismo craniano em um membro da Comando Alvi Rubro, na Jatiúca; a agressão a um torcedor no Corredor Vera Arruda/Avenida Fernandes Lima para roubar sua camisa após um clássico; e o assalto coletivo promovido por oito homens uniformizados no Conjunto Graciliano Ramos, que fugiram em um carro branco após roubarem os pertences da vítima.