Esportes
Jogadores são apontados como principais culpados pela eliminação do Brasil
Levantamento aponta frustração com a campanha brasileira e apoio à continuidade do técnico italiano
A eliminação precoce da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 deixou marcas na avaliação dos torcedores. Uma pesquisa do Datafolha divulgada após o encerramento da competição mostra que os jogadores foram considerados os principais responsáveis pela campanha decepcionante do Brasil, enquanto Carlo Ancelotti recebeu uma avaliação menos negativa e segue com apoio majoritário para permanecer no cargo.
Segundo o levantamento, 47% dos brasileiros atribuem a eliminação aos atletas. Outros 22% apontam a comissão técnica como principal responsável pelo resultado, enquanto 18% culpam os dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A pesquisa foi realizada nos dias 22 e 23 de julho, com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O desempenho da Seleção também ficou abaixo das expectativas para a maioria dos entrevistados. Para 36%, a campanha foi muito pior do que o esperado, enquanto 24% consideraram o resultado um pouco abaixo do imaginado. Apenas 8% avaliaram que o Brasil superou as expectativas no Mundial.
A queda nas oitavas de final marcou a primeira eliminação do Brasil nessa fase desde 1990 e ocorreu diante da Noruega, seleção sem grande tradição em Copas do Mundo. O resultado ampliou a insatisfação dos torcedores com o momento vivido pela equipe nacional.
Nos bastidores, a preparação para a competição foi marcada por instabilidade. A CBF passou por mudanças na presidência após o afastamento judicial de Ednaldo Rodrigues, sendo substituído por Samir Xaud, que assumiu a entidade poucos meses antes da chegada oficial de Carlo Ancelotti ao comando técnico.
O treinador italiano assumiu a Seleção com pouco tempo de trabalho antes do Mundial e se tornou o quarto nome a dirigir a equipe desde a Copa de 2022. Antes dele, passaram pelo cargo Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior.
Apesar da eliminação, a avaliação do trabalho de Ancelotti foi menos severa do que a registrada por seus antecessores em campanhas recentes. Atualmente, 32% dos entrevistados consideram sua atuação ruim ou péssima — percentual inferior ao registrado por técnicos como Tite, Luiz Felipe Scolari e Dunga após suas eliminações em Copas do Mundo.
A pesquisa também aponta que a maioria dos brasileiros é favorável à continuidade do italiano no cargo. Ao todo, 51% apoiam sua permanência até a Copa do Mundo de 2030, enquanto 37% são contrários à decisão.
Após a eliminação, Ancelotti comentou o futuro do trabalho desenvolvido na Seleção Brasileira.
"O que vamos fazer é continuar trabalhando, tentar melhorar e buscar novas ideias. O mesmo que fizemos neste ano. Acho que o trabalho foi bom. O futebol é assim. Às vezes, você tem que administrar a tristeza de uma derrota. Estou acostumado a isso. Vamos administrar esta derrota com um novo impulso ao trabalho", disse o técnico após a queda em East Rutherford.
Nesta semana, o treinador se reuniu com membros da comissão técnica e dirigentes da CBF no Rio de Janeiro. Na ocasião, confirmou o encerramento do ciclo de Neymar na Seleção e prometeu promover uma ampla renovação do elenco para os próximos anos.
Com contrato renovado até 2030, Carlo Ancelotti terá pela frente o desafio de reconstruir a confiança dos torcedores e buscar o principal objetivo do futebol brasileiro: conquistar mais uma estrela para a camisa da Seleção.

