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Botafogo entra em recuperação judicial após decisão da Justiça no Rio

SAF alvinegra busca reorganização financeira e estabilidade

Por Redação 15/05/2026 15h03
Botafogo entra em recuperação judicial após decisão da Justiça no Rio
Botafogo entra em recuperação judicial após decisão da Justiça no Rio - Foto: Wagner Meier/Getty Images

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou o pedido de recuperação judicial da SAF Botafogo e iniciou oficialmente o processo nesta quinta-feira (14). A decisão foi assinada pelo juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial da Capital.

Com o deferimento, ficam suspensas por 180 dias as execuções e cobranças contra a SAF, período conhecido como stay period, previsto na Lei de Recuperação Judicial.

Segundo o clube, a dívida sujeita ao processo é de aproximadamente R$ 1,286 bilhão, enquanto o passivo total ultrapassa R$ 2,5 bilhões, incluindo débitos tributários e outras obrigações. A SAF atribuiu parte da crise à gestão da Eagle Football e de John Textor, acusando a administração anterior de promover um processo de “descapitalização” do Botafogo.

A decisão judicial também destacou os impactos dos transfer bans impostos pela Fifa, que aceleraram o pedido de recuperação judicial diante do risco de bloqueios e vencimentos antecipados de dívidas.

Além da medida, o Botafogo anunciou mudanças internas: Eduardo Iglesias foi nomeado novo diretor-geral da SAF, substituindo Durcesio Mello, que ocupava o cargo interinamente desde o afastamento de Textor.

Nota oficial do Botafogo (na íntegra)


A SAF Botafogo informa que, em continuidade ao processo de reorganização financeira já iniciado com o ajuizamento de medida cautelar, protocolou, na noite desta quinta-feira (14), pedido de Recuperação Judicial como medida necessária para proteger o clube, preservar suas atividades, garantir o cumprimento de suas obrigações e assegurar a continuidade do projeto esportivo do Botafogo.

A decisão foi tomada diante do grave cenário financeiro enfrentado pela companhia, agravado por sucessivos bloqueios, riscos decorrentes de transfer bans impostos no âmbito da FIFA, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e severas restrições de caixa que passaram a comprometer a própria operação cotidiana do clube.

Com o ajuizamento da Recuperação Judicial, a SAF Botafogo ingressa em uma nova etapa de reorganização estruturada, com maior estabilidade jurídica e financeira para condução de negociações com credores, investidores e parceiros estratégicos.

A medida também permite o início formal da elaboração e discussão de um plano de Recuperação Judicial, que será submetido aos credores na forma da lei, criando um ambiente de previsibilidade, supervisão judicial e proteção institucional necessário para o reequilíbrio financeiro da companhia.

Além disso, o efetivo pedido de Recuperação Judicial era medida indispensável diante das recentes sanções desportivas sofridas pelo clube, incluindo transfer bans impostos no âmbito da FIFA. A própria FIFA esclareceu que a tutela cautelar anteriormente deferida não produzia os efeitos jurídicos equivalentes ao processamento da Recuperação Judicial, razão pela qual a SAF Botafogo precisou avançar imediatamente para esta nova fase, como forma de proteger suas atividades esportivas, preservar sua competitividade e evitar prejuízos ainda mais severos ao clube.

Nos últimos meses, a SAF Botafogo sofreu forte processo de descapitalização dentro da estrutura do Grupo Eagle. Mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários para manutenção de suas atividades e competitividade esportiva.

Enquanto outros ativos do grupo receberam investimentos substanciais, incluindo aportes recentes de aproximadamente US$ 90 milhões no Lyon, o Botafogo permaneceu, por mais de um ano, sem qualquer injeção relevante de recursos, mesmo diante de reiterados alertas sobre a deterioração do caixa e os riscos concretos à continuidade operacional da SAF.

A Eagle Football, sua administração e seus representantes diretos tinham pleno conhecimento da gravidade da situação financeira enfrentada pela SAF Botafogo.