Esportes

MP denuncia filho de Popó por aliciamento de atletas em esquema de apostas

Investigação aponta tentativa de manipulação de jogos das Séries A, B e C do Brasileirão

Por Redação com agências 06/02/2026 09h09
MP denuncia filho de Popó por aliciamento de atletas em esquema de apostas
Reinaldo, alagoano jogador do Mirassol - Foto: Reprodução/Jogada 10

O Ministério Público do Paraná apresentou, nesta quinta-feira (5), denúncia contra o empresário Igor Freitas, filho do ex-boxeador Acelino “Popó” Freitas, além de Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro. O trio é acusado de atuar em um esquema de aliciamento de jogadores para manipulação de resultados em competições do futebol brasileiro.

De acordo com o MP, os investigados responderão pelos crimes de associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo, conforme previsto no Código Penal e na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.587/2023).

A denúncia é resultado da Operação Derby, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em setembro de 2025. As apurações começaram após a identificação de uma proposta de R$ 15 mil feita a jogadores do Londrina para forçar cartões amarelos em uma partida da Série C.

Com o avanço das investigações, o Ministério Público identificou tentativas de abordagem a atletas de clubes das Séries A, B e C. Entre eles, o lateral Reinaldo, do Mirassol. Segundo o MP, Igor Freitas fazia o primeiro contato com os jogadores por meio das redes sociais, utilizando um discurso voltado a supostos projetos comerciais e de patrocínio.

Após conquistar a confiança do atleta, o contato era repassado a Rodrigo Rossi, apresentado como operador ligado a casas de apostas. Quando a conversa avançou para a manipulação de resultados, Reinaldo recusou a proposta e encerrou o diálogo. Em mensagem registrada no processo, o jogador afirmou:
“Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão”.

As investigações também indicam que o grupo pretendia expandir as ações para outras regiões do país. Em mensagens interceptadas, Raphael Ribeiro orienta a ampliação do esquema para o Centro-Oeste e Nordeste, sugerindo a cooptação simultânea de atletas.

O inquérito revelou ainda conflitos internos entre os envolvidos, com cobranças relacionadas à divisão de valores obtidos de forma ilícita. Em uma das mensagens anexadas, Raphael questiona a ausência de repasses financeiros:
“Deve estar achando que sou otário… Cadê meu dinheiro, irmão?”

Para subsidiar a denúncia, o Gaeco cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal nas cidades de Salvador (BA) e Itapema (SC), em ação realizada em conjunto com forças de segurança locais.

Caso condenados, os denunciados podem receber penas de dois a seis anos de reclusão, além de multa. O Ministério Público também solicitou indenização de R$ 150 mil por dano moral coletivo, em razão do impacto às competições esportivas. Até o momento, as defesas não se manifestaram.