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Após meses afastado, Felca expõe luta contra fobia social
Influenciador relata agressões sofridas na adolescência e o uso de álcool
O influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, voltou a publicar conteúdo no YouTube nesta terça-feira (20) com um relato sobre bullying, saúde mental e as dificuldades enfrentadas em situações sociais. Em um vídeo com mais de uma hora de duração, ele revelou ter diagnóstico de fobia social e contou como as agressões sofridas na adolescência afetaram sua vida adulta.
Felca, de 28 anos, relatou que começou a sofrer bullying aos 12 anos, durante o período escolar em Londrina. Segundo o influenciador, as humilhações evoluíram para agressões físicas e deixaram consequências que dificultaram sua capacidade de frequentar ambientes públicos e estabelecer relações sociais.
“Para mim, o maior pecado do bullying é que depois dele nada acontece para quem fez, mas para quem foi vítima, o que acontece é uma vida inteira de compensação”, afirmou.
O criador de conteúdo também contou que passou a recorrer ao álcool para conseguir participar de eventos e compromissos profissionais. Segundo ele, a estratégia proporcionava uma sensação temporária de segurança, mas não resolvia as dificuldades relacionadas à fobia social.
O afastamento das redes sociais se intensificou após a repercussão de Adultização, vídeo publicado em agosto de 2025 no qual denunciou a exposição e a exploração de crianças e adolescentes na internet.
“Depois que eu postei a adultização, e aconteceu tudo o que aconteceu, eu me fechei. Quando me chamaram [para sair de casa] era para uma palestra que eu queria muito ir. Eu senti todo o medo que eu achei que eu tinha enfrentado. Eu percebi que a fobia social ainda está toda aqui. Eu não enfrentei de verdade, enfrentei de mentirinha, porque é isso que o álcool faz”, relatou.
Durante o depoimento, Felca também revelou ter desenvolvido dependência alcoólica e sofrido um acidente grave no qual fraturou duas costelas após beber para conseguir realizar uma gravação externa. Ele contou que chegou a passar cinco meses sem sair de casa antes de gravar o vídeo.
O que é a fobia social?
Também conhecida como transtorno de ansiedade social, a fobia social é caracterizada pelo medo intenso de situações em que a pessoa pode ser observada, avaliada ou julgada por outras pessoas. Esse receio pode levar à evitação de encontros, eventos públicos, conversas e outras interações cotidianas.
Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o transtorno é identificado pelo código F40.1. Na CID-11, corresponde ao código 6B04. Entre as manifestações estão o medo persistente de agir de maneira inadequada, a preocupação com possíveis críticas e a sensação de humilhação ou rejeição.
A médica Priscila F. Telles, que atua na área de saúde mental, explica que experiências negativas repetidas podem afetar a autoestima, a percepção de segurança e a maneira como uma pessoa interpreta as relações sociais.
“A pessoa pode começar a antecipar novas experiências de rejeição, desenvolver medo de ser julgada e passar a evitar situações nas quais acredita que poderá ser exposta ou ridicularizada. É importante compreender que cada indivíduo reage de uma maneira, e que o bullying não determina, necessariamente, o desenvolvimento de um transtorno mental”, explica a especialista.
Principais sintomas
Para que o diagnóstico seja confirmado, os sintomas precisam persistir por um período prolongado e provocar sofrimento significativo ou prejuízos na vida pessoal, familiar, social ou profissional.
Entre os sinais associados ao transtorno estão:
Físicos: palpitações, rubor facial, tremores, sudorese intensa e náuseas.
Comportamentais: evitar eventos e locais públicos, dificuldade para iniciar ou manter conversas e isolamento social.
Emocionais e cognitivos: ansiedade antes de compromissos, medo excessivo do julgamento alheio e sensação constante de ameaça ou rejeição.
O depoimento de Felca também chama a atenção para o uso de substâncias como forma de lidar com a ansiedade. O influenciador contou que recorria ao álcool para enfrentar situações sociais, mas reconheceu que a estratégia não significava ter superado o medo.
“Quando alguém sente que só consegue enfrentar uma situação social depois de beber, é importante olhar para o sofrimento que está por trás desse comportamento. O alívio momentâneo pode reforçar a ideia de que a pessoa não é capaz de lidar com essas situações sem a bebida”, afirma Telles.
Embora o álcool possa provocar uma sensação temporária de desinibição, o uso recorrente pode favorecer a dependência e agravar dificuldades relacionadas à ansiedade. Por isso, o acompanhamento profissional é importante para identificar as causas do sofrimento e orientar o tratamento.
Tratamento e apoio
O tratamento do transtorno de ansiedade social pode incluir psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e apoio familiar. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens utilizadas, com estratégias que ajudam a pessoa a compreender seus pensamentos, lidar com os gatilhos e desenvolver segurança gradualmente diante de situações sociais.
Em casos específicos, o psiquiatra pode avaliar a necessidade de medicamentos. A escolha do tratamento depende das necessidades de cada paciente e deve ser feita com orientação profissional.
A especialista ressalta que o enfrentamento do medo precisa respeitar o ritmo de cada pessoa. Evitar indefinidamente situações que provocam ansiedade pode manter o ciclo de isolamento, mas a exposição abrupta, sem preparo ou suporte, também pode ser difícil.
“Cada processo de cuidado precisa respeitar a história, os limites e as necessidades da pessoa. Evitar indefinidamente tudo o que provoca medo pode manter o ciclo da ansiedade, mas se expor de maneira abrupta, sem preparo ou suporte, também pode ser muito difícil. O tratamento deve ajudar o paciente a construir segurança gradualmente, com estratégias adequadas ao seu caso”, complementa Telles.
Desafio contra o isolamento
Ao final do relato, o influenciador anunciou o desafio #SimFel, uma iniciativa de três meses em que pretende aceitar convites e oportunidades sociais que normalmente recusaria por medo ou desconforto.
A proposta busca incentivar Felca a enfrentar situações cotidianas e compartilhar o processo com os seguidores. O criador de conteúdo, no entanto, destacou as dificuldades que ainda enfrenta ao lidar com a fobia social.
O vídeo marca seu retorno às publicações após um período de afastamento e apresenta um relato pessoal sobre as consequências do bullying, o uso do álcool como mecanismo de enfrentamento e a busca por mudanças na relação com outras pessoas.
