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Literatura popular alagoana será incluída na rede municipal de ensino de Maceió
Escritores se reuniram com a Semed para discutir a implementação do Programa Municipal de Literatura Popular na Escola
Representantes da literatura alagoana se reuniram com a Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed) para discutir a implementação do Programa Municipal de Literatura Popular na Escola. O encontro aconteceu na manhã de terça-feira (4) e reuniu escritores e bibliotecários interessados em ampliar a presença da produção literária local nas unidades de ensino.
A proposta busca colocar em prática a lei que define as diretrizes para a inclusão da literatura popular alagoana no currículo escolar da rede pública municipal. Em vigor desde novembro de 2025, a legislação estabelece medidas para fortalecer a educação literária e cultural nas escolas de Maceió.
O grupo, mobilizado pelo escritor Matheus Cavalcanti, apresentou ao secretário municipal de Educação, João Folha (PDT), os pontos de execução do programa. As diretrizes para o desenvolvimento da iniciativa já haviam sido elaboradas pela própria Semed em janeiro deste ano.
Entre os objetivos do programa estão a valorização de escritores, poetas e cordelistas alagoanos, o acesso dos estudantes à literatura produzida no estado por meio de bibliotecas e salas de leitura, além do incentivo à criação literária entre os alunos. A Rede de Bibliotecas também deverá integrar as ações voltadas à educação e à cultura.
“O escritor alagoano precisa ser mais reconhecido pelo que produz. Ele precisa estar no ambiente escolar. A gente entende a literatura não somente como arte, mas como ferramenta pedagógica. Mesmo que a gente receba convites para ir às escolas, não há um cronograma. A partir da lei, a gente tem autoridade para reivindicar o direito de estar nesses espaços”, explicou Matheus Cavalcanti.
Também participou da reunião a diretora de Gestão Pedagógica da Semed-Maceió, Shirley Giló.

Ampliação das bibliotecas
Durante o encontro, João Folha alinhou com escritores e bibliotecários a criação de uma comissão interna voltada à ampliação das bibliotecas escolares e ao incentivo à literatura produzida em Alagoas. Segundo o secretário, o grupo também deverá definir estratégias para aquisição de livros que serão incorporados à rede municipal de ensino.
“Fico muito feliz em receber vocês com essa pauta. É uma pauta que a gente já tinha discutido internamente. Nós temos 167 unidades, fora o Gigantinhos, que tem uma gestão dividida com as OSC. Das 167, só temos 27 bibliotecas. É uma vergonha. Temos de fazer mea culpa. A gente tem diretoras que lutam para colocar aqui e ali. Algumas salas têm o cantinho da leitura, mas nada como um programa voltado para isso”, enfatizou Folha.
O secretário também sugeriu a criação de um plano de trabalho em parceria com os autores por meio do projeto Poematizando, desenvolvido pelo escritor Hugo Novaes. A iniciativa, criada no fim de 2022, reúne atividades como formação de professores, palestras, oficinas, saraus e concursos de poesia.
De acordo com Novaes, o projeto pode ser ampliado para contemplar escolas de toda a rede municipal.
“Como a rede de Maceió é muito grande, a gente pode juntar todos os autores que queiram participar, colocar dentro do projeto, fazer um aditivo ao contrato que estou trazendo à secretaria, e dividir por escolas para abranger toda a rede, de forma que os escritores participem de todas as escolas”, esclareceu.

Parceria com a Bibliocoop
Outra medida discutida para fortalecer o programa é a participação de escritores independentes alagoanos junto à Cooperativa de Trabalho Nacional dos Bibliotecários e Profissionais da Informação (Bibliocoop), que poderá atuar como editora de obras literárias em prosa e verso.
A atuação da cooperativa como editora foi autorizada por meio de uma lei estadual sancionada em agosto de 2026.
“Nós podemos atuar como editora dos autores independentes Estamos tentando agregar os nossos serviços a esse projeto. Somos mediadores da informação, organizamos a informação, representamos que o conhecimento seja acessível a todos os níveis de educação, infantil, fundamental ou médio. Podemos fazer a editoração dos livros de vocês”, destacou a bibliotecária alagoana Maria José da Silva.
