Entretenimento
Lip Sync Battle chega à 3ª edição e movimenta a cena drag em Maceió
Iniciativa busca dar visibilidade a novos talentos locais e consolidar a arte transformista no calendário cultural alagoano
Nesta sexta-feira (24), Maceió ganha mais cor e movimento, especialmente no universo drag local, com a realização do evento "Lip Sync Battle" (Batalha de Dublagem). A iniciativa reúne a comunidade LGBTQIA+ e demais admiradores da arte drag no Theatro Homerinho, localizado no bairro do Jaraguá, para uma noite de celebração, performances e apresentações artísticas ao vivo. A entrada é gratuita mediante a doação de um quilo de alimento não perecível.
Criado e produzido pelo artista Giseldo Carlos, que dá vida à drag Gigis Banks, o evento — que começa às 20h — chega à sua terceira edição fazendo alusão ao formato das batalhas de dublagem do programa norte-americano RuPaul's Drag Race. O principal objetivo do concurso é evidenciar a arte transformista em Alagoas e destacar o trabalho dos e das performers.
Neste ano, a Lip Sync Battle contará com oito participantes — duas delas vindas de Pernambuco — e uma dinâmica diferente das edições anteriores. Haverá mudanças na etapa dos shows solos: as duas drags mais bem colocadas avançam para a semifinal. Além disso, foi criado um sistema de ranking; ou seja, as batalhas começam com as participantes que obtiverem as menores pontuações na avaliação dos jurados e avançam até chegar às primeiras colocadas.
Segundo Giseldo, as duas melhores no ranking seguem direto para a semifinal, enquanto as participantes que ficarem entre a terceira e a quarta colocação entram em um momento posterior da competição. Todas as drags que compõem o elenco passaram por um processo de inscrição e dublarão diversas músicas nacionais e internacionais.

O elenco é composto pelas seguintes drags: Allura Nox (PE), Santana Blossom (AL), Lady Seven (AL), Mayven Hoffmann (PE), Lua de Kendra (AL), Tiana (AL), Zafira (AL) e Raven B. Ashell (AL).
As batalhas não serão as únicas atrações da noite. Também haverá apresentações das drags que fazem parte do casting oficial desta edição, como Emilly Laser, Alejandra Vortex e outras artistas de diferentes regiões de Alagoas. A drag Aretta Candelári também foi convidada para realizar uma performance de canto.
"O público pode esperar muitas reviravoltas. Este ano está cheio de surpresas e mudanças na dinâmica da competição. Também teremos um momento especial de reconhecimento: em vez das homenagens realizadas na edição anterior, vamos nomear três pessoas como Patronus e Patronese da Lip Sync Battle. São pessoas que estiveram ao meu lado desde a primeira edição, quando ainda não tínhamos praticamente nada, e continuam caminhando conosco agora que o projeto chegou à terceira edição. Acho muito importante reconhecer quem acreditou no evento desde o começo", destacou Giseldo Carlos.
Como tudo começou
A história do Lip Sync Battle começou em 2024. Giseldo contou que foi o período em que recebeu seu primeiro salário como professor e no qual já sentia a vontade de voltar a produzir eventos. Cria da Escola Técnica de Artes (ETA-Ufal), o artista produzia iniciativas que até hoje estão no calendário da instituição, a exemplo do Corpório e do The Move.
"Foram iniciativas minhas que acabaram se tornando projetos anuais do curso de dança. Quando saí da ETA, senti muita falta de produzir e pensei que era hora de voltar a fazer isso, mas agora voltado para o meu nicho, que é o universo drag, principalmente para as drags iniciantes", relatou.

Giseldo, que é natural de São Miguel dos Campos, município da Região Metropolitana de Maceió, sentiu de perto a dificuldade de conseguir espaços para se apresentar, participar de eventos e mostrar seu trabalho. Foi a partir daí que teve a ideia de criar o Lip Sync Battle, com batalhas, jurados e premiação.
"Na primeira edição, eu ainda não tinha condições de oferecer um prêmio maior. Enquanto na segunda o prêmio foi de R$ 1.000, na primeira foi de R$ 150. A vencedora foi Skarllet Fuck'Sia, disputando com Santana Blossom, Seven e Lua de Kendra. A minha vontade era criar um espaço onde eu também pudesse me mostrar, assim como fazia na ETA, onde produzia festas para tocar como Gigis Banks. As pessoas me conheciam, eu conquistava seguidores, aumentava meu engajamento e isso acabou abrindo portas para ser contratada por outras pessoas", relatou o artista e produtor.
Vivências e trabalhos
Para Giseldo Carlos, a criação de Gigis Banks e a sua vivência como pessoa LGBTQIA+ se conectam diretamente. Ele contou que decidiu criar um espaço que não fosse apenas direcionado a si mesmo, mas que expandisse horizontes para outras artistas, especialmente as iniciantes.
"Foi assim comigo também. Comecei do nada, fui conquistando meu espaço e continuo até hoje. O objetivo sempre foi fazer da Lip Sync Battle um espaço coletivo, que dê visibilidade para outras pessoas e faça o evento crescer cada vez mais", declarou.
O artista disse ainda que muitas performers que começaram no evento encontraram suas próprias trajetórias e estão conseguindo voar para outros projetos, evidenciando a importância do trabalho coletivo.
"Todos os anos surgem novos talentos. Na edição passada, por exemplo, tivemos Tiana, Santana e Chloe, que depois passaram a conseguir apresentações em festas e eventos, como o Drag Dinner Alagoas. Muitas delas nascem artisticamente dentro da Lip Sync Battle e, a partir daí, seguem construindo suas próprias trajetórias", pontuou.
Mais apoiadores
Realizada pela segunda vez com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a iniciativa tornou-se um projeto anual em Alagoas, sempre com casa cheia de torcida e celebração.
Para Giseldo, o crescimento do projeto no estado é nítido, visto que este ano contou com o apoio das lojas Arrasadora e Até Produções, que vão contribuir com a premiação.
"Uma coisa que sempre me impressiona é a procura do público. Abrimos a venda de cem ingressos às seis horas da noite e, meia hora depois, já estavam esgotados. Em outro momento, anunciamos a abertura de mais cem ingressos para as seis da tarde e, às seis e sete, já não havia mais nenhum disponível. Isso mostra que as pessoas realmente querem consumir esse tipo de evento. Tenho certeza de que, em breve, o espaço atual não será mais suficiente e teremos que pensar em um teatro maior", concluiu.
A drag vencedora das batalhas levará para casa um prêmio de R$ 1.000, além de um contrato com a Tags Produções para se apresentar no Maceió Pop Festival.

