Entretenimento

"Tiraram minha roupa": Paolla Oliveira expõe risco da IA para mulheres

Atriz afirma que casos envolvendo imagens falsas vão além do transtorno pessoal e destaca os desafios enfrentados por mulheres que não têm recursos para se defender.

Por Redação 01/07/2026 10h10
'Tiraram minha roupa': Paolla Oliveira expõe risco da IA para mulheres
A atriz destacou que sua preocupação vai além do caso pessoal e chamou atenção para a vulnerabilidade de vítimas que não possuem visibilidade ou apoio jurídico. - Foto: Reprodução

A atriz Paolla Oliveira voltou a chamar atenção para os riscos do uso indevido da inteligência artificial ao denunciar a circulação de fotos e vídeos falsos com sua imagem. Em entrevista à CNN Brasil, ela afirmou que o avanço da tecnologia tem imposto novos desafios à segurança digital, especialmente para as mulheres.

Segundo a atriz, a vontade de abordar o tema existia há algum tempo, mas ela ainda buscava a melhor forma de iniciar essa discussão. Para Paolla, a rapidez com que a inteligência artificial evolui tem dificultado até mesmo a compreensão dos impactos provocados pela tecnologia.


"Eu já queria falar faz tempo, mas a gente não sabe nem por onde começar, né? A inteligência artificial é uma coisa que vem atropelando a gente."


Ela ressaltou que, apesar de também ser vítima da prática, reconhece ocupar uma posição privilegiada em relação à maioria das mulheres atingidas por esse tipo de crime. A atriz destacou que conta com suporte jurídico, consegue identificar facilmente conteúdos falsificados e possui alcance nas redes para desmentir publicamente as montagens.


"Eu me coloco nessa posição, eu falo: 'Eu tenho uma condição, várias condições, aliás. Tanto de ter um advogado quanto de ter o discernimento do que sou eu, do que não é. E eu posso ir, por exemplo, a público, eu tenho um alcance de voz para falar: 'Essa não sou eu, eu não fiz isso, não sou eu nessa situação'."


O que mais preocupa Paolla, porém, é a realidade enfrentada por mulheres que não dispõem da mesma estrutura para reagir. Na avaliação da artista, a disseminação de conteúdos gerados por inteligência artificial exige a construção de uma nova relação de confiança entre as pessoas e o ambiente digital.


"Eu fico pensando nas pessoas que não têm esse alcance. E o quanto a mulher, agora, tem que criar uma nova estrutura de segurança e de confiança em si mesma."


Ela observou que a sociedade ainda discutia questões relacionadas à credibilidade das imagens e à autoimagem feminina quando passou a enfrentar um problema ainda mais complexo: distinguir conteúdos reais daqueles produzidos artificialmente.


"É do tipo: 'Ah, tiraram a minha roupa na internet? Não sou eu'. É uma construção nova. A gente nem terminou a construção da credibilidade vista por imagem e já estamos tendo que criar uma nova relação sobre confiança, que é realidade versus o que nem existe, que é essa inteligência artificial."


Ao concluir, Paolla afirmou que sua inquietação ultrapassa o episódio envolvendo sua imagem e representa uma preocupação coletiva. Para ela, mesmo diante da sofisticação das ferramentas de inteligência artificial, é essencial preservar o valor das experiências e da identidade reais.


"Isso me veio como um incômodo sobre as minhas coisas, visto de um aspecto muito mais privilegiado do que outras pessoas. Eu me pergunto: como é que o mundo lida com isso? Talvez seja bom falar que o que toda mulher é na vida, a experiência que ela tem, a vida de verdade, tem muito valor ainda. Tem que ter."