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Feiras e colecionadores impulsionam retorno do vinil em Arapiraca
Movimento reúne apaixonados por música, fortalece o colecionismo e amplia espaços dedicados à cultura analógica na capital do Agreste
Os discos de vinil voltaram a ocupar espaço entre colecionadores, músicos e apreciadores da cultura analógica em Arapiraca. Impulsionado por feiras especializadas, novos empreendimentos e pelo interesse crescente de diferentes gerações, o formato tem fortalecido um movimento cultural que une memória afetiva, música e convivência.
Embora os serviços de streaming dominem o consumo musical atualmente, os tradicionais LPs têm atraído tanto saudosistas quanto jovens interessados na experiência proporcionada pelo formato físico. Em Arapiraca, eventos voltados ao colecionismo e à troca de discos têm contribuído para ampliar esse público.
Entre os responsáveis pela movimentação do segmento na cidade estão Carlos Eduardo Santos e Geneton Araújo, conhecido como Júpiter. Os dois participam da organização de feiras e ações voltadas aos apreciadores dos chamados “bolachões”, oferecendo ao público títulos de diversos estilos musicais, que vão do forró e da música popular brasileira ao rock, jazz e blues.
Além da comercialização de discos, os encontros promovem troca de experiências entre colecionadores, estimulam a descoberta de novos artistas e aproximam diferentes gerações por meio da música.
Segundo Carlos Eduardo Santos, um dos aspectos mais marcantes das feiras é justamente a interação entre pessoas de diferentes idades.
“Uma das coisas mais bonitas que vemos nas feiras é justamente o encontro entre gerações. É muito comum aparecerem avós, pais e filhos garimpando juntos, trocando referências e compartilhando histórias através da música. Isso mostra como o disco acaba atravessando gerações”, afirmou.
O colecionismo também é marcado por histórias de reencontros. Carlos Eduardo relembra o caso de um frequentador que encontrou, décadas depois, discos que haviam pertencido a ele.
“Quando ele pegou os LPs, percebeu que eram exatamente os dele, porque estavam assinados com o nome e a data da época. Depois de mais de duas décadas, aqueles discos voltaram para o primeiro dono”, contou.
O fortalecimento da cultura do vinil em Arapiraca também é atribuído à influência de Paulo Lourenço, conhecido como Paulo do Bar. Considerado uma referência entre colecionadores da região, ele se tornou símbolo da valorização da música e dos discos na cidade.
O poeta, jornalista e músico Breno Airan afirma que Paulo foi determinante para sua relação com os vinis. Segundo ele, a experiência de ouvir música em LP vai além da reprodução sonora e envolve contato direto com a obra artística.
“Paulo é figura central na minha vida. Sempre que coloco um disco para rodar, lembro dele. Ele me ensinou a ouvir a vida, a ser paciente e a buscar mais informações sobre os artistas”, relatou.
A expansão do interesse pelos vinis também motivou a criação da Sonöra – Casa Multicultural, espaço inaugurado por Carlos Eduardo Santos e Geneton Araújo. O local reúne venda de discos, CDs, camisetas e outros produtos ligados ao universo musical, além de funcionar como ambiente de convivência cultural.
Segundo os idealizadores, a proposta surgiu da percepção de que havia demanda por um espaço dedicado à música e ao colecionismo em Arapiraca.
Além do valor cultural, o mercado de vinis também apresenta crescimento econômico. A procura por discos novos, usados e edições raras aumentou nos últimos anos, acompanhando uma tendência observada em diversas regiões do país.
Para quem deseja ingressar no universo dos LPs, os colecionadores recomendam investir em equipamentos de qualidade e iniciar a coleção a partir de artistas e discos com significado pessoal. Feiras, sebos e lojas especializadas também são apontados como importantes espaços de aprendizado sobre conservação e catalogação dos acervos.
Em Arapiraca, o ressurgimento dos vinis tem mostrado que, mesmo em um cenário cada vez mais digital, a experiência física da música continua atraindo admiradores e fortalecendo iniciativas culturais ligadas à memória, ao colecionismo e à valorização da produção artística.
*Com informações da Assessoria


