Entretenimento
Club Imola transforma Jaraguá em polo da música eletrônica
Projeto reúne DJs, artistas visuais e cultura LGBTQIA+ e fortalece a cena underground em Maceió; 3ª edição traz o tema “Encanto da Sereia”
Um espaço onde se pode permitir ser o que se é, nascido de uma roda de amigos em companhia de uma mixadora, e onde todos os sentidos são aguçados em torno de uma atmosfera capaz de levar a um lugar de fantasia. Assim surgiu o mais novo evento com identidade e conceito que promete renovar a cena underground e eletrônica de Alagoas, especialmente em Maceió: a festa Club Imola.
Já em sua terceira edição, o projeto evidencia a música eletrônica e suas vertentes, que vão do trance ao house music, passando pelo funk brasileiro com batidas eletrônicas, new wave, dance e guaracha. Além de uma festa, o Club Imola também fomenta uma espécie de movimento cultural no bairro histórico do Jaraguá, coração da capital alagoana, dando cara a um ousado jeito de produzir e misturar sons e símbolos.
Com o tema O Encanto da Sereia, a festa vai acontecer neste sábado (2), a partir das 22h, no espaço cultural Barzarte, considerado uma das raízes artísticas e culturais do Jaraguá, capaz de reunir diversos grupos sociais, principalmente pertencentes à comunidade LGBT. O elenco da festa é composto por IDLIBRA, DJ de Recife (PE), que vem de um grande set do Lollapalooza para se apresentar junto com os DJs Perigou, Leviathan, KJ, Gayfatal e Terto.

Club Imola também se entende como palco para trabalhos performáticos: sob o som das batidas, cria-se movimento corpóreo e, em um espaço intimista, brotam personas como Pérolla Negra, Anastácia e Pes Compasso, que estão responsáveis pelos visuais nesta edição.
"A Imola é um momento de experimentação de sonoridades e artistas, não só musicalmente, mas também como um palco para performances. Queremos que o público esteja aberto ao inesperado. Nosso objetivo é fugir do óbvio", afirmou o publicitário e co-produtor do Club Imola, DJ Klebson Barros, de 24 anos.
Para Alan Alvoravel, de 27 anos, bacharel em Direito, DJ e um dos idealizadores da festa, a Imola nasce como uma resposta tanto às festas que costumava frequentar há anos quanto à necessidade de existir um espaço em que corpos LGBTQIA+ pudessem se sentir livres. "A Imola é também um espaço para uma renovação de sons e artistas", disse ele.

Utopia eletrônica e a sereia
Assim como o Barzarte, o Club Imola também é um campo aberto para possibilidades e a materialização de sensações. A diversidade de texturas sonoras da festa contribui para a composição de quadros catárticos, como se, a todo momento, a pista de dança se transformasse em um abraço e se mesclasse aos corpos da comunidade. Uma espécie de utopia eletrônica começa a se manifestar: "tudo se torna mágico", declarou Alvoravel.
Porém, para tudo isso se tornar palpável, há uma construção de identidade e conceito direcionados para cada edição da festa. Desta vez, a Imola entrou em uma espécie de metamorfose para se encontrar como a personagem conhecida pelos maceioenses que fica no Mirante da Sereia. Foi por meio de um símbolo local, a estátua da sereia, que os organizadores tiveram a ideia do tema.
"Quando parei para pensar na identidade dessa festa, me voltei para o cenário dela: Maceió! E nisso vem o mar e, sobretudo, a sereia do Mirante. Junto ao designer Pepapuke, conseguimos concretizar. Contamos também com a ajuda das performers Pérolla Negra e Anastácia para criar essa atmosfera que conversasse com o tema", explicou Klebson Barros.

Junto com os visuais, a curadoria do evento focou em artistas e DJs que tinham relação com o conceito sonoro do Club Imola. Segundo os produtores, a escolha dos artistas parte inicialmente do som, e há um estudo sobre como o estilo de cada artista pode se adequar à identidade musical do evento.
"A gente tem em mente um conceito sonoro e estudamos quem pode fazer isso acontecer", explicou Barros. "Além disso, vem também da vivência. Todos os DJs convidados foram artistas que a gente já acompanhava", completou Alvoravel.
Questionados sobre o que seria o underground alagoano e como está a cena atualmente em Alagoas, os organizadores responderam que a cultura é um espaço de resistência.
"É complicada a realização de eventos desse nicho. Uma das dificuldades em Maceió é a falta de espaços que acolham esse tipo de festa e comunidade. Mas, ao mesmo tempo, eu enxergo o horizonte como promissor, pela resposta do nosso público e por ver várias pessoas se dedicando a fazer acontecer", afirmou Alan.

Sobre o Club Imola
Idealizado por Alan Alvoravel e Klebson Barros, o Club Imola surgiu a partir de sucessivas reuniões entre amigos que já não cabiam em uma sala. Eles costumavam se reunir em volta de uma mesa com uma controladora, sob o intuito de fazer DJ sets sem compromisso. Um dia, surgiu a vontade de convidar mais pessoas, e o desejo de construir algo maior foi crescendo até culminar em um evento que reunisse mais público.
Além de Alan e Klebson, integram a equipe seus amigos Eduardo Serpa e Alysson Rhomeo, que dão suporte à produção e apoio ao evento.

O nome da festa faz alusão ao nome de guerra da modelo e personalidade da televisão brasileira Andressa Urach, que também ficou famosa por meio de memes divulgados na internet após sua participação no reality A Fazenda.
Algumas das referências dos produtores da festa — pessoas e grupos que fizeram parte do processo de idealização do projeto — são a DJ Leviathan, com o Coletivo Umbral, e o artista Marcos Topete, que há anos persevera e dá continuidade ao fazer criativo dentro da arte independente, da dança, do teatro alternativo e do underground alagoano.
O Club Imola acontece desde agosto de 2025, quando teve sua estreia no espaço Popfuzz, em Maceió. O evento também já trouxe figuras importantes da música eletrônica no Nordeste, como Anti Ribeiro (SE), Metalluna (PE), Gabnaja (PE), Erms (AL) e Perigou (AL).

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