Entretenimento
Pedro Salvador lança álbum homônimo que destaca identidade musical
Após quatro anos de pesquisa musical, trabalho reúne influências diversas, participações especiais e reflexões sobre questões sociais contemporâneas
O músico e produtor alagoano Pedro Salvador lançou seu novo álbum homônimo, já disponível nas principais plataformas de streaming. O disco chega após um processo de quatro anos dedicado à pesquisa e à experimentação sonora, consolidando uma nova fase em sua trajetória artística.
Antecipado pelo single “Flores Mortas parte 1”, o trabalho apresenta uma fusão de referências que vão do rock progressivo à psicodelia, passando pelo soul e pelo jazz. A proposta resulta em uma sonoridade densa e contemporânea, marcada pela liberdade criativa e pela rejeição a rótulos rígidos de gênero.
No álbum, Pedro Salvador constrói uma identidade musical que dialoga com influências globais sem abrir mão de elementos de seu território. Ritmos da música popular nordestina contemporânea, como arrocha e pagodão baiano, surgem de forma sutil na parte final do disco, sem recorrer à folclorização.
Um dos destaques do projeto é a faixa instrumental “Gênese e Destruição parte 1”, que conta com a participação do mestre Chau do Pife, reconhecido como Patrimônio Vivo da Cultura Alagoana. A música promove um encontro entre o instrumento tradicional e uma linguagem experimental próxima do jazz.

O álbum também reúne diversas colaborações vocais e instrumentais, com participações de artistas como Ana Gal, Mary Alves, Arielly Oliveira, Nego Pedru, Alyne Sakura, Bárbara Castelões, Toninho ZS, Diogo Oliveira, Myrna Araújo e May Honorato. Entre os instrumentistas convidados estão Chau do Pife, Everaldo Borges, Vitor Moreira e Dinho Zampier.
Grande parte das gravações foi realizada de forma caseira, com o próprio Pedro assumindo a execução de quase todos os instrumentos. “Meu processo costuma acontecer em etapas: primeiro vem a composição e o arranjo, depois a gravação da bateria e, a partir dela, vou construindo as outras camadas do som”, explicou o artista.
Ele acrescenta: “A voz quase sempre fica por último, e muitas vezes a letra só nasce nesse momento final. Na maior parte do tempo é um processo solitário, em que acabo assumindo vários papéis ao mesmo tempo.”
Com 18 faixas, o disco apresenta uma narrativa que aborda temas como violência, consciência crítica e transformação social. As composições são majoritariamente autorais, com exceção de “Cangaço”, escrita por seu pai, Avelar Salvador.
Dividido em Lado A e Lado B, o álbum organiza sua proposta em dois momentos complementares: o primeiro apresenta um cenário de violência estrutural, enquanto o segundo aprofunda as reflexões e propõe um movimento de conscientização e ação.

