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Roda de Coco na Praça das Aroeiras resgata cultura, ancestralidade e tradição de Alagoas

Projeto, que acontece às segundas-feiras, arrasta uma multidão de moradores e turistas

Por Ana Beatriz Elias* 21/01/2026 19h07 - Atualizado em 21/01/2026 20h08
Roda de Coco na Praça das Aroeiras resgata cultura, ancestralidade e tradição de Alagoas
Roda de Coco na sua 146ª edição. - Foto: Ana Beatriz Elias

O projeto Roda de Coco Oficial, iniciativa independente, têm alegrado as noites de Maceió durante as segundas-feiras. Tomando lugar na Praça das Aroeiras, no bairro da Ponta Verde, a roda faz um resgate cultural e histórico de Alagoas, destacando o coco de roda como ritmo genuinamente alagoano.

As toadas carregadas de fé, com composições próprias dos integrantes da roda e outras do saber popular, arrastam uma multidão de turistas e moradores da cidade, que param para prestigiar as apresentações. Sendo um espaço aberto de genuína expressão, o projeto convida artistas e um público de todas as idades.

A ideia de fazer uma roda de coco às segundas-feiras veio do dia de folga de um grupo de amigos, segundo um dos organizadores, Rogério Dyaz. Mas, como explica o historiador Pai Célio, o dia carrega um significado espiritual.

“Segunda-feira é dia de Exu. Exu é o senhor dos caminhos, senhor da vida, da fertilidade. A própria palavra Exú quer dizer ‘esfera’. Na nossa tradição, Olorum percebeu esse planeta cheio d’água e mandou Exu, que era a esfera. Ele começa a girar e faz com que a Terra gire”, explicou.


A manifestação cultural e religiosa ganha força em um contexto de intolerância, na cidade conhecida pelo episódio da Quebra de Xangô que, de acordo com Pai Célio, foi um movimento político. Ocorrido em 1912 durante o período de carnaval, os intolerantes se infiltraram nos blocos, causando uma verdadeira destruição que ficou marcada na história alagoana.

O resgate histórico e popular encanta não somente moradores, mas também turistas que participam do projeto, que já passa da sua 140ª edição. Turistas como a Mônica Carvalho, do Rio de Janeiro, que descobriu sobre a Roda no dia anterior à ela. Ela e Margareth Brainer vieram juntas em um grupo de 18 pessoas que viajam ao redor do Brasil.

“Foi uma grata surpresa. Soubemos ontem à noite dessa roda e não teve dúvida. Amanhã de noite eu estou embarcando, mas não podíamos deixar de assistir uma roda como essa num lugar como esse. E é uma roda maravilhosa”, destaca Mônica.

“Estou encantada. Aproximar a cultura do povo, que tem a ver com as nossas raízes, é um canto de trabalho que move quem produz essas músicas. E a gente ver num bairro nobre de Maceió reunindo mais ou menos uma centena de pessoas de vários locais, só tenho que parabenizar”, destaca Margareth.

Margareth Brainer e Mônica Carvalho. Foto: Ana Beatriz Elias


A roda se reúne todas às segundas-feiras, à partir das 19h. As informações podem ser vistas no instagram oficial do projeto, @rodadecocooficialmcz

*Estagiária sob supervisão