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Ministério Público lança websérie sobre a Quebra de Xangô
Dividida em quatro episódios, obra vai ao ar no Dia da Intolerância Religiosa
Gritos. Correria. Portas arrombadas. Objetos sagrados destruídos. Corpos marcados pela violência. Em 1912, Maceió assistiu a um dos episódios mais brutais de sua história: o Quebra de Xangô, quando terreiros foram invadidos, religiosos de matriz africana perseguidos, espancados e assassinados em uma ação movida pelo ódio e pela intolerância religiosa. Mais de um século depois, essa memória ainda precisa ser dita, registrada e preservada para que a violência não se repita.
Por isso, o Ministério Público lança, nesta quarta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a websérie “Quebra tudo, mas não quebra o saber”. Dividida em quatro episódios, a produção promove um resgate histórico e simbólico do Quebra de Xangô de 1912, um dos maiores episódios de intolerância religiosa contra praticantes de religiões de matriz africana no Brasil.
A websérie reúne depoimentos do historiador Zezito Araújo, do antropólogo Siloé Amorim, do babalorixá e também historiador Pai Célio, da ialorixá Mãe Miriã e dos promotores de Justiça Lucas Sachsida, Dalva Tenório e Alexandra Beurlen. A produção reconstrói os acontecimentos, suas consequências e os impactos que ainda hoje reverberam na sociedade. O objetivo é claro: preservar a memória como ferramenta de conscientização, reforçando que a destruição do passado é também uma forma de violência no presente.
Além do resgate histórico, a produção reafirma que intolerância religiosa é crime. “A discriminação motivada por religião está prevista na Lei nº 7.716/1989, que tipifica os crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia ou religião. A Constituição Federal também assegura, como direito fundamental, a liberdade de crença e de culto”, explicou a promotora de Justiça Dalva Tenório, titular da 59ª Promotoria de Justiça (PJ) da capital, que atua no enfrentamento aos crimes de intolerância religiosa.


