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Ministério Público lança websérie sobre a Quebra de Xangô

Dividida em quatro episódios, obra vai ao ar no Dia da Intolerância Religiosa

Por Assessoria 21/01/2026 19h07
Ministério Público lança websérie sobre a Quebra de Xangô
Capa da Websérie “Quebra tudo, mas não quebra o saber” - Foto: Reprodução

Gritos. Correria. Portas arrombadas. Objetos sagrados destruídos. Corpos marcados pela violência. Em 1912, Maceió assistiu a um dos episódios mais brutais de sua história: o Quebra de Xangô, quando terreiros foram invadidos, religiosos de matriz africana perseguidos, espancados e assassinados em uma ação movida pelo ódio e pela intolerância religiosa. Mais de um século depois, essa memória ainda precisa ser dita, registrada e preservada para que a violência não se repita.

Por isso, o Ministério Público lança, nesta quarta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a websérie “Quebra tudo, mas não quebra o saber”. Dividida em quatro episódios, a produção promove um resgate histórico e simbólico do Quebra de Xangô de 1912, um dos maiores episódios de intolerância religiosa contra praticantes de religiões de matriz africana no Brasil.

A websérie reúne depoimentos do historiador Zezito Araújo, do antropólogo Siloé Amorim, do babalorixá e também historiador Pai Célio, da ialorixá Mãe Miriã e dos promotores de Justiça Lucas Sachsida, Dalva Tenório e Alexandra Beurlen. A produção reconstrói os acontecimentos, suas consequências e os impactos que ainda hoje reverberam na sociedade. O objetivo é claro: preservar a memória como ferramenta de conscientização, reforçando que a destruição do passado é também uma forma de violência no presente.

Além do resgate histórico, a produção reafirma que intolerância religiosa é crime. “A discriminação motivada por religião está prevista na Lei nº 7.716/1989, que tipifica os crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia ou religião. A Constituição Federal também assegura, como direito fundamental, a liberdade de crença e de culto”, explicou a promotora de Justiça Dalva Tenório, titular da 59ª Promotoria de Justiça (PJ) da capital, que atua no enfrentamento aos crimes de intolerância religiosa.