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Afundamento do solo em bairros de Maceió vira documentário de cineasta argentino
O documentarista e escritor argentino Carlos Pronzato, de 62 anos, visitou Maceió neste ano, para a gravação de um documentário que conta histórias de famílias afetadas por rachaduras e afundamento do solo que atingem ao menos 4 bairros da cidade, a maior tragédia geológica já registrada no país.
As gravações do filme “A Braskem passou por aqui: a catástrofe de Maceió” começaram em maio. A pré-estreia está marcada para esta quinta-feira (22) em São Paulo. No início de agosto, o documentário deve ser lançado em Maceió, ainda sem data definida.
O documentário mostra a revolta e o sofrimento de quem perdeu suas moradias e seu negócios. O filme também traz relatos de geólogos, empresários que perderam seus estabelecimentos e lideranças de movimentos sociais dos bairros Bebedouro, Bom Parto e Pinheiro.
Carlos Pronzato também contou que se interessou pelo caso quando assistia a uma live de movimentos sindicais relatando a situação dos bairros afetados. Nesse período, o documentarista estava na Bahia em um processo de gravação de outro documentário.
“Eu estava terminando de fazer um documentário na Bahia quando assisti a uma live, em abril, sobre esse tema com várias pessoas de vários países. Pessoas de movimentos sindicais falavam sobre os bairros, sobre a passagem do VLT que foi suspensa no Bebedouro por causa do solo instável. Percebi que não se via notícias sobre essa região, o tema tinha ficado um pouco de lado, afastado das notícias do dia. Comecei a pesquisar sobre isso”, relatou Pronzato.
Ele disse que, nas entrevistas para o filme, algumas pessoas relatavam que não se conformavam com a situação. “É difícil. Tem muitas pessoas que não conseguem alugar casas em outros bairros porque é muito caro”, disse o documentarista.
O longa-metragem de 80 minutos foi realizado de forma independente, com apoio de movimentos sociais e de sindicatos de Maceió como, por exemplo, o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (SintUfal), que teve seu espaço interditado por causa das rachaduras. Pesquisadores alagoanos também o auxiliaram na empreitada audiovisual.
Afundamento do solo
O fenômeno geológico foi percebido após fortes chuvas e um tremor de terra em fevereiro de 2018 no bairro do Pinheiro, onde surgiram as primeiras rachaduras. Um ano depois, Mutange, Bebedouro e Bom Parto também registraram problemas semelhantes. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) concluiu que a extração de sal-gema feita durante décadas pela Braskem provocou o desastre.
A Braskem desenvolveu o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF), que identificou a necessidade de desocupação de 14.394 imóveis por causa do risco de desabamento. Por meio de nota, a empresa afirma que 95% deste total já foram desocupados e que "o Programa também paga o auxílio-aluguel no valor de R$ 1 mil mensais por pelo menos seis meses e até dois meses após a homologação do acordo de indenização entre a Braskem e a família".
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