Eleições 2026
Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam desafio para conquistar votos do centro
Lula e Flávio Bolsonaro iniciam o segundo turno de uma das eleições presidenciais mais disputadas desde a redemocratização com foco nos 33,4 milhões de eleitores que se abstiveram e nos 8,7 milhões que optaram pela terceira via. Analistas avaliam que conquistar esse eleitorado, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, será um grande desafio para ambos os candidatos.
Após um primeiro turno marcado pelo equilíbrio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) direcionam suas estratégias para os eleitores que não compareceram às urnas ou que votaram em candidatos fora da disputa final. O objetivo é ampliar a base de apoio no segundo turno, com atenção especial aos estados do Sul e Sudeste, onde esses votos se concentram.
Flávio Bolsonaro encerrou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Além disso, 33,4 milhões de eleitores se abstiveram e outros 8,7 milhões votaram em Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) ou Ronaldo Caiado (PSD), candidatos que não avançaram para o segundo turno.
O desempenho da terceira via e o nível de abstenção superaram levemente os índices de 2022, abrindo espaço para a disputa por esses eleitores. Estados como Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul registraram participação expressiva de candidatos da terceira via, enquanto Goiás se destacou pelos 12% obtidos por Caiado.
Os principais colégios eleitorais, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, concentraram tanto votos da terceira via quanto altos índices de abstenção. Segundo a imprensa nacional, esses estados tornam-se estratégicos para Lula e Flávio Bolsonaro na tentativa de ampliar seus resultados no segundo turno.
Especialistas ouvidos por um dos principais jornais do país avaliam, porém, que converter esses eleitores não será tarefa simples. Em estados onde a disputa para governador já foi definida, a tendência é de menor mobilização eleitoral, o que pode aumentar ainda mais a abstenção na segunda rodada.
Para o cientista político Antonio Lavareda, o crescimento de Flávio Bolsonaro no primeiro turno não resultou necessariamente de um avanço do antipetismo, mas sim da migração de parte dos eleitores de Lula e da terceira via para a abstenção. Segundo ele, Lula precisará ampliar a rejeição a Flávio entre eleitores moderados e até mesmo entre apoiadores do adversário, repetindo estratégia semelhante à usada em 2006 contra Geraldo Alckmin, hoje seu aliado.
Já o pesquisador Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca que o eleitor que não se identifica nem com o lulismo nem com o bolsonarismo será decisivo na reta final. Para ele, esse segmento tem se mostrado pendular nos últimos anos, mas manteve preferência pela oposição entre 2022 e 2026, tornando sua reconquista um desafio central para a campanha de Lula, ressalta a mídia.
