Eleições 2026
Número de deputados pretos e pardos cai 2,9% nas eleições de 2026
Percentual representa uma redução em relação à composição eleita em 2022
A Câmara dos Deputados terá 135 parlamentares autodeclarados pretos ou pardos no mandato que começa em 2027, segundo os resultados das eleições de 2026. O número representa uma redução de 2,9% em comparação com os 139 eleitos em 2022.
As 135 cadeiras correspondem a 26,3% das 513 vagas da Câmara. Entre os parlamentares pretos e pardos eleitos neste ano, 77 foram reeleitos, o equivalente a 57% da bancada negra que deverá cumprir mandato entre 2027 e 2031.
O União/PP foi a agremiação partidária que mais elegeu candidatos pretos e pardos, com 32 cadeiras, ou 23,7% do total de parlamentares negros eleitos.
Apesar da redução no número absoluto, a presença de candidatos negros nas eleições continuou próxima da registrada nos últimos pleitos. Em 2026, 49,9% dos candidatos se declararam pretos ou pardos, segundo maior percentual da série histórica iniciada em 2014.
No primeiro ano em que a declaração de cor foi informada pelos candidatos, 44,3% se identificaram como pretos ou pardos. Em 2022, o percentual chegou a 50,3%. Já entre os eleitos, os negros representaram 29,5% em 2026, contra 31,9% em 2022 e 27,5% em 2018.
Os números ainda poderão passar por pequenas alterações após a divulgação dos resultados do segundo turno.
PRESENÇA NEGRA E PAUTAS NACIONAIS
Para o sociólogo Wescrey Pontes, coordenador de pesquisa do Dara (Dados e Análises do Racismo e do Antirracismo), a presença de parlamentares negros teve impacto em "debates de interesse nacional" nos últimos anos.
Entre os exemplos citados por Pontes estão a revisão da política de cotas e a discussão sobre o fim da jornada 6x1, duas pautas que chegaram a ser debatidas na Câmara dos Deputados, onde o número de parlamentares negros eleitos se manteve estável em relação à última eleição.
Ainda assim, o pesquisador aponta que a representatividade política não acompanha a composição racial do país. De acordo com o último Censo, 56,2% da população brasileira é negra.
Pontes avalia que "a desproporção entre brancos e negros eleitos segue muito grande" e atribui parte dessa diferença à dinâmica partidária e à distribuição de recursos durante as disputas eleitorais.
"A lógica interna e a correlação de forças em partidos maiores privilegia candidaturas brancas em relação a candidaturas pretas e pardas."
Wescrey Pontes, coordenador de pesquisa do Dara.
MULHERES NEGRAS ENFRENTAM BARREIRAS MAIORES
A desigualdade se torna ainda mais evidente quando observada a situação das mulheres negras na política. Doutoranda em ciência política pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Juliana Marques afirma que os obstáculos não estão restritos ao acesso a recursos para disputar eleições.
Segundo a pesquisadora, algumas candidatas também enfrentam limitações relacionadas à própria organização da vida familiar, o que pode dificultar a chegada a espaços de maior projeção política.
O cenário mostra que, embora a participação de pretos e pardos entre os candidatos tenha alcançado patamares próximos aos maiores da série histórica, a conversão dessas candidaturas em cadeiras ainda permanece abaixo da proporção da população negra brasileira.
