Eleições 2026

Virada de idade nas urnas: eleitores 60+ já superam jovens em AL

Em 2018, os jovens de 16 a 24 anos somavam cerca de 412,4 mil eleitores, enquanto os maiores de 60 eram 319,7 mil

Por Blog Edivaldo Junior 18/09/2026 12h12
Virada de idade nas urnas: eleitores 60+ já superam jovens em AL
. - Foto: Reprodução

Alagoas chega às eleições de 2026 com uma mudança importante no perfil de quem vai às urnas. O Estado tem hoje 480.690 eleitores com 60 anos ou mais, contra 361.579 entre 16 e 24 anos. São mais de 119 mil eleitores de diferença entre as duas faixas.

Há oito anos, a situação era exatamente inversa. Em 2018, os jovens de 16 a 24 anos somavam cerca de 412,4 mil eleitores, enquanto os maiores de 60 eram 319,7 mil. Havia quase 93 mil jovens a mais. Em 2022 ocorreu a virada, ainda apertada: 392,4 mil eleitores 60+ contra 381,4 mil jovens. Agora, em 2026, a diferença cresceu mais de dez vezes.

O movimento acompanha o envelhecimento da própria população alagoana, mas ocorre em ritmo intenso no perfil do eleitorado. Desde 2018, o grupo com 60 anos ou mais aumentou 50,4%. No mesmo período, a faixa entre 16 e 24 anos caiu 12,3%. Os dados históricos são do Tribunal Superior Eleitoral e do TRE de Alagoas; os números de 2026 correspondem ao cadastro de agosto.3

| Faixa etária | 2018 | 2022 | 2026 | Variação 2018/26 |

| ------------------- | --------: | --------: | ------------: | ---------------: |

| 16 a 24 anos | 412,4 mil | 381,4 mil | 361,6 mil | -12,3%|



| 25 a 34 anos | 500,7 mil | 512,6 mil | 510,5 mil | +1,9% |

| 35 a 44 anos | 463,7 mil | 485,6 mil | 481,2 mil | +3,8% |

| 45 a 59 anos | 491,4 mil | 553,5 mil | 607,9 mil | +23,7% |

| 60 anos ou mais| 319,7 mil | 392,4 mil | 480,7 mil | +50,4% |

O grupo que mais cresceu foi justamente o dos mais velhos. Mas há outro movimento importante logo antes dele: os eleitores de 45 a 59 anos passaram de 491 mil para quase 608 mil, alta de 23,7%.

Somados, os eleitores com 35 anos ou mais já representam 64,3% do cadastro eleitoral de Alagoas. Em 2018, eram 58,3%; em 2022, 61,6%. O perfil das urnas vem, portanto, mudando gradualmente para as faixas mais altas de idade.

A maior faixa agrupada hoje é a de 45 a 59 anos, com quase 608 mil eleitores, 24,9% do total. Os 60+ já representam 19,7%, praticamente um em cada cinco eleitores alagoanos.

Voto facultativo também cresce


O envelhecimento aparece ainda com mais força quando o recorte chega aos 70 anos.

Em 2018, Alagoas tinha cerca de 119 mil eleitores com 70 anos ou mais. Em 2022, eram 162,5 mil. Agora são 213.507 — crescimento de quase 79% em oito anos. Para esse grupo, o voto é facultativo.

Os maiores de 70 já representam 8,7% de todo o eleitorado estadual. Ou seja: quase um em cada onze eleitores de Alagoas poderá decidir se comparece ou não às urnas sem qualquer obrigação legal.

No Brasil, o processo é semelhante. O TSE aponta que o número de eleitores com 60 anos ou mais passou de 32,9 milhões, em 2022, para 37,5 milhões em 2026. A participação nacional desse grupo avançou de 21% para 23,6%. Em Alagoas, a proporção ainda é menor, 19,7%, mas o crescimento entre 2022 e 2026 foi mais acelerado: 22,5% no Estado, contra cerca de 14% no país.

Menos jovens nas urnas


Na outra ponta, a redução é contínua.

Os eleitores entre 16 e 24 anos representavam 18,8% do cadastro em 2018. Caíram para 16,4% em 2022 e agora são 14,8%.

Não significa necessariamente desinteresse dos jovens pela política. Há uma mudança demográfica por trás dos números: Alagoas também vem registrando redução das faixas mais jovens da população e rápido crescimento das mais velhas.

Mas, eleitoralmente, o efeito é objetivo. A participação relativa dos jovens diminui enquanto aumenta a dos eleitores maduros e idosos.

Guinada


A virada entre jovens e idosos ocorreu em 2022. Em 2026, deixou de ser uma diferença pequena.

Alagoas tem hoje quase 481 mil eleitores com 60 anos ou mais, contra 362 mil entre 16 e 24. Em oito anos, ganhou aproximadamente 161 mil eleitores idosos e perdeu mais de 50 mil na faixa mais jovem.

E há uma nova geração chegando aos 60. A faixa entre 45 e 59 anos, hoje a maior do eleitorado, reúne mais de 600 mil pessoas.

Isso não permite concluir como cada grupo vai votar — idade, isoladamente, não determina preferência eleitoral. Mas muda o público ao qual as campanhas precisam apresentar propostas.

Saúde, medicamentos, previdência, assistência, mobilidade e qualidade de vida para quem envelhece passam a interessar a uma parcela cada vez maior das urnas.