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Crise no STF impulsiona campanha de Flávio, mas aliados temem desgaste

Por Sputnik Brasil 10/09/2026 12h12
Crise no STF impulsiona campanha de Flávio, mas aliados temem desgaste
Foto: © Lula Marques/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro utiliza a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) como estratégia para reforçar sua campanha à Presidência e desviar atenções do caso Master. Apesar do tom incisivo, aliados recomendam cautela após ataques a ministros, temendo que a retórica prejudique a imagem do candidato e sua relação com a Corte.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tem apostado no conflito interno do STF como principal eixo de sua campanha. A movimentação busca deslocar o foco das investigações sobre o caso Master, envolvendo o parlamentar.

Segundo apuração de jornal de grande circulação, aliados de Flávio monitoram de perto os desdobramentos do caso Master e aconselham o senador a moderar as críticas ao STF. A preocupação ganhou força após declarações em Juiz de Fora, quando Flávio acusou o presidente Lula de tentar vencer "no tapetão", afirmou que a Polícia Federal estaria sendo usada politicamente e criticou o ministro Flávio Dino pela decisão de recolocar Andrei Rodrigues no comando da corporação. O senador também cobrou publicamente que o presidente do STF, Edson Fachin, suspendesse a liminar de Dino e levasse o tema ao plenário.

Fachin, no entanto, derrubou decisões de Dino e André Mendonça, mantendo Andrei Rodrigues no cargo. O entorno de Flávio avalia que as críticas ao STF devem continuar, mas sem transformar a ofensiva em ataque generalizado, evitando fortalecer a imagem de revanche e mantendo canais institucionais abertos.

A campanha enxerga a crise como oportunidade política, já que o embate entre ministros como Alexandre de Moraes, Mendonça e Dino deslocou o debate para o STF e mobiliza a base bolsonarista. No entanto, o excesso de confronto pode comprometer o esforço de apresentar Flávio como candidato que não busca vingança contra a Corte. O próprio senador afirmou que o STF "não precisa ter medo" de uma eventual vitória sua.

Nos bastidores, cresce a atenção ao caso Master. Aliados relataram à imprensa que Flávio já apresentou sua versão sobre a relação com Daniel Vorcaro, mas reconhecem que não é possível prever novos desdobramentos. A possibilidade de quebra ampla de sigilo, defendida por Lula, aumentou a apreensão na campanha.

A avaliação interna é que a abertura total do sigilo é pouco provável. Para aliados de Flávio, Lula tenta se posicionar como defensor da transparência, sem se comprometer diretamente com nenhuma das partes envolvidas na crise do STF.

Mesmo assim, o caso Master preocupa o entorno do senador, já que as investigações alcançam outros nomes, como Ciro Nogueira (PP) e Cláudio Castro (PL). Apesar de não haver denúncias contra eles, a campanha teme surpresas no avanço das apurações, especialmente após Flávio negar, inicialmente, ligação com Vorcaro. Posteriormente, vieram à tona não apenas a relação do senador com o ex-banqueiro, como também seu pedido de mais de R$ 130 milhões para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, incluindo troca de áudios e visita à casa de Vorcaro em São Paulo, já com tornozeleira eletrônica.

A crise também trouxe à tona informações sobre o financiamento do filme "Dark Horse". Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, confirmou ter realizado sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 67,4 milhões) para o fundo Havengate, ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República investigam se parte desses recursos teria financiado o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A decisão de Dino que reintegrou Andrei à PF citou a necessidade de preservar diligências do caso e evitar possíveis interferências externas.