Eleições 2026
Avalanche de pesquisas pode confundir ainda mais eleição em AL
Setembro mal começou e já tem cinco novos registros
A eleição para o governo de Alagoas entrou definitivamente na fase da guerra das pesquisas. Em julho, foram quatro levantamentos registrados no TSE. Em agosto, dez. Setembro mal começou e já tem cinco novos registros. Entre os institutos que aparecem neste início de mês estão Ranking, Real Time Big Data, Veritá, AtlasIntel e Índice Inteligência.
O aumento era previsível. Quanto mais perto da eleição, maior o interesse por pesquisas. O que chama atenção, no entanto, não é apenas a quantidade. São as diferenças entre alguns resultados.
Há levantamentos que mostram Renan Filho e JHC numa disputa apertada, dentro de um cenário que também é percebido nas ruas, nas agendas de campanha e na força dos dois grupos.
A Quaest é hoje uma das principais referências para quem acompanha - com critério técnico - a eleição em Alagoas. O instituto mostrou Renan Filho com 42% e JHC com 40%. É uma diferença mínima e compatível com a leitura de uma eleição equilibrada.
O Paraná Pesquisas colocou JHC na frente, mas também apresentou uma disputa apertada. Datatrends e Falpe, cada um com seus números, igualmente apontaram diferenças menores entre os dois principais candidatos.
Ou seja: podem discordar sobre quem está na frente, podem apresentar variações de alguns pontos, mas todos esses levantamentos trabalham dentro de uma mesma realidade política: a eleição está apertada.
O problema aparece quando outros institutos chegam a resultados completamente diferentes. Em alguns casos, a vantagem de um candidato passa de dez chetando até 16 pontos enquanto, praticamente no mesmo período, outras pesquisas mostram empate técnico ou diferença pequena.
Isso pode acontecer? Pode. Pesquisas usam amostras diferentes, metodologias diferentes, critérios diferentes de distribuição dos entrevistados e formas distintas de coleta. Não se espera que todos os institutos encontrem exatamente o mesmo resultado.
Mas existe um limite razoável para a discrepância. Quando determinados levantamentos começam a apresentar números muito distantes do conjunto das pesquisas, a dúvida passa a ser sobre o próprio instituto. Pesquisa precisa de credibilidade. Sem ela, perde valor como informação e começa a servir apenas para alimentar propaganda eleitoral.
E mesmo como propaganda o efeito pode ser pequeno, porque números que parecem distantes demais da realidade acabam sendo recebidos com desconfiança por quem acompanha a campanha.
O TSE registra a pesquisa, mas não certifica sua qualidade. O registro mostra quem contratou, quem realizou, tamanho da amostra, metodologia, período de campo, margem de erro e outras informações obrigatórias. Cabe ao eleitor, à imprensa e aos analistas avaliar a consistência do levantamento.
Em agosto, o sistema registrou pesquisas de Paraná, Ranking, TDL, Datasensus, Quaest, Datatrends, Veritá, Índice e Falpe, entre outros. Agora chegam novas rodadas. E a tendência é que o eleitor veja resultados cada vez mais diferentes nas próximas semanas.
Nesse ambiente, a Quaest acaba funcionando como uma espécie de baliza para analistas e formadores de opinião, não porque seja infalível, mas porque tem exposição nacional, histórico recente conhecido e resultados comparáveis em vários estados. O Paraná também tem longa presença no mercado. Datatrends e Falpe já são conhecidos em Alagoas e acumulam trabalhos em eleições anteriores.
Isso não significa que instituto conhecido sempre acerta ou que instituto novo necessariamente erra. Significa apenas que credibilidade não nasce com o registro de uma pesquisa. Ela é construída ao longo do tempo. No fim da eleição, todos esses números serão confrontados com um único resultado: o das urnas.
