Eleições 2026
Ataque de Marina ao “tempo” de Renan também atinge Lira e os Caldas
JHC também entrou jovem. Nasceu em 1987 e chegou à Assembleia Legislativa aos 23 anos, em 2011
Marina Candia escolheu a longevidade de Renan Calheiros como um dos principais alvos da campanha ao Senado. No Sertão, afirmou que “em 40 anos, muita coisa mudou no mundo”, mas que em Alagoas “a permanência de Renan Calheiros no poder” teria parado no tempo.
A crítica é legítima. O problema é que ela abre uma comparação inevitável com o próprio grupo de Marina. Renan começou na política ainda muito jovem. Foi eleito deputado estadual em 1978, aos 23 anos, enquanto cursava Direito na Ufal. Depois foi deputado federal, ministro da Justiça e senador. Está na vida pública há quase cinco décadas.
Mas Arthur Lira, companheiro de Marina na disputa pelo Senado, também começou cedo. Foi eleito vereador de Maceió em 1992, também aos 23 anos, assumiu em 1993, depois passou pela Assembleia Legislativa e chegou à Câmara dos Deputados em 2011. Desde então, não deixou de exercer mandato eletivo.
JHC também entrou jovem. Nasceu em 1987 e chegou à Assembleia Legislativa aos 23 anos, em 2011. Depois foi deputado federal por dois mandatos e prefeito de Maceió por dois mandatos antes de deixar o cargo para disputar o governo.
Renan Filho começou aos 25 anos. Foi prefeito de Murici por dois mandatos, deputado federal, governador duas vezes, senador e ministro dos Transportes. Sua primeira eleição foi em 2004.
Ou seja: os quatro principais nomes das disputas pelo governo e pelo Senado têm algo em comum. Todos começaram cedo e construíram carreiras longas. E todos eles tem como principal atividade a política.
A diferença está no tempo. Renan é o mais antigo. Arthur entrou na política eleitoral cerca de 14 anos depois. Renan Filho começou em 2004. JHC, em 2010.
A própria família Caldas também está há décadas na política alagoana. João Caldas, pai de JHC, começou como vereador em 1983. Depois foi prefeito de Ibateguara, deputado estadual e deputado federal.
Isso não invalida o discurso de renovação de Marina. Ela disputa sua primeira eleição e pode, naturalmente, se apresentar como nome novo. Mas torna mais difícil transformar simplesmente o tempo de carreira do adversário em argumento contra ele.
Tempo de mandato não é, sozinho, qualidade nem defeito. Um político pode passar décadas no poder e perder relevância. Outro pode permanecer por muito tempo porque continua recebendo votos e entregando resultados. No fim, quem decide se alguém deve continuar ou sair é o eleitor.
Na campanha eleitoral, no entanto, a longevidade pode virar munição. De um lado, Renan vai tentar transformar experiência em qualidade. Marina vai tentar transformar a mesma experiência em desgaste.
Só que, ao fazer isso, terá de explicar por que o problema seria o tempo de Renan e não o de outros políticos experientes que caminham ao lado dela. Essa é a contradição que a crítica dela abriu. Mas essa é outra história.
