Eleições 2026
Quaest: afinal, alagoano quer mudança ou continuidade?
Qual desses discursos dialoga mais com o sentimento do alagoano?
A disputa pelo Governo de Alagoas está polarizada. De um lado, JHC apresenta-se como candidato da mudança. Do outro, Renan Filho promete “fazer história de novo”, associando sua candidatura aos resultados dos governos comandados pelo MDB nos últimos anos.
Qual desses discursos dialoga mais com o sentimento do alagoano? Afinal, o eleitor quer mudar ou continuar?
A pesquisa Quaest aponta uma resposta, embora ela não seja tão simples. Renan Filho e JHC receberam 42% e 40%, respectivamente, das intenções de voto na sondagem divulgada nesta segunda-feira (24/08). A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro, de três pontos percentuais.
O empate técnico traduz o sentimento dividido do eleitor. Mas outro bloco da pesquisa ajuda a compreender melhor o que os alagoanos esperam do próximo governador.
Para 29%, o eleito deve continuar o trabalho que vem sendo realizado. Outros 37% defendem mudar apenas o que não está bom. Já 27% consideram necessário mudar totalmente. Os que não souberam ou não responderam somam 7%.
A maior parcela do eleitorado, portanto, não deseja nem continuidade automática nem ruptura completa. Quer preservar o que considera positivo e corrigir o que ainda não funciona. É um recado que alcança as duas principais candidaturas.
Veja o que respondeeram os entrevistados:
Rumos do governo estadual
29% dos eleitores dizem que o governador a ser eleito deve continuar o trabalho que vem sendo feito.
37% defendem mudar apenas o que não está bom
27% consideram que é necessário mudar totalmente
Não sabe/não respondeu: 7%
Continuidade
Quando são somados os 29% que defendem a continuidade integral aos 37% que querem apenas mudanças pontuais, chega-se a 66%. Em sentido oposto, 27% pedem uma mudança total na administração estadual.
Isso não significa que todos os 66% sejam eleitores de Renan Filho. Mas indica que o ambiente político é mais favorável a um discurso de continuidade com renovação do que a uma proposta de rompimento completo com o atual modelo administrativo.
A avaliação do governador Paulo Dantas reforça essa leitura. A gestão estadual é aprovada por 56% dos entrevistados e desaprovada por 28%. Outros 16% não souberam responder. Entre os eleitores que manifestaram opinião, a aprovação chega a 66,7% — dois em cada três.
O resultado oferece a Renan Filho uma base importante para defender o legado dos governos do MDB. Ao mesmo tempo, os 37% que cobram correções mostram que apenas repetir realizações anteriores pode não ser suficiente. O eleitor reconhece avanços, mas também identifica problemas.
JHC, por sua vez, encontra espaço entre os 27% que querem mudar tudo e pode disputar a parcela que defende mudanças pontuais. Para isso, terá de demonstrar que sua candidatura representa correção de rumos sem necessariamente negar ações aprovadas pela maioria.
O levantamento mostra, portanto, um eleitor menos interessado em escolher entre conservar tudo ou desmontar tudo. A preferência predominante é por continuidade com ajustes. Esse ponto ajuda a explicar por que Renan Filho e JHC começam a campanha praticamente empatados.
A Quaest ouviu 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os números AL-05503/2026 e BR-09091/2026.
