Eleições 2026
De protagonista a suplente da ‘direita’: Lessa paga caro por virar a casaca
A foto tenta passar unidade depois das convenções e afastar rumoes da insatifação do vice-governador
Ronaldo Lessa apareceu de mãos dadas com JHC e Marina Candia na noite desta segunda-feira (17), numa postagem conjunta feita pelos três nas redes sociais. A legenda dizia: “A luta continua! Juntos para mudar Alagoas”.
A foto tenta passar unidade depois das convenções e afastar rumoes da insatifação do vice-governador. Ao mesmo tempo expõe, talvez sem querer, o tamanho da mudança vivida por ele nos últimos meses.
Lessa deixou o grupo de Paulo Dantas como vice-governador, com influência política e espaços importantes na estrutura estadual. Seu grupo tinha presença na Vice-Governadoria, na Seprev e na Seades. Além disso, antes do rompimento, recebeu sinalização de Renan Filho e do próprio Paulo Dantas para disputar uma vaga ao Senado na chapa governista.
Havia ainda uma segunda alternativa. Segundo informações apuradas pelo blog, o MDB ofereceu a Lessa uma candidatura a deputado federal, com apoio político do partido e do governo. A composição incluía entendimento para que ele tivesse condições competitivas de eleição e, posteriormente, pudesse abrir espaço na Câmara.
Lessa recusou. Preferiu mudar de lado e apostar numa promessa: seria candidato a vice-governador na chapa de JHC. Seria. Célia Rocha foi escolhida para a vaga, Marina Candia virou candidata ao Senado e Eudócia Caldas ficou com a primeira suplência. Para Lessa sobrou a segunda.
O resultado chama atenção não apenas pelo cargo em si, mas pelo tamanho da trajetória de quem o ocupa. Ronaldo Lessa foi prefeito de Maceió, governador de Alagoas por dois mandatos e segue sendo lembrado por uma parcela expressiva dos alagoanos pelo trabalho realizado no Executivo.
Saiu, portanto, da condição de protagonista no grupo governista para uma posição secundária na composição que escolheu integrar. Foi esse contraste que apareceu com força nos comentários feitos depois da postagem conjunta. Um deles resumiu, em tom duro, a percepção de parte do público: “Ronaldo Lessa saiu de protagonista do grupo governista para ser humilhado no grupo tucano. Além de ter se juntado à extrema-direita. Triste fim”.
“Humilhado” pode ser uma palavra forte demais para uma análise política. Mas o rebaixamento de espaço é objetivo. Quando Lessa deixou a base governista, Ronaldo Medeiros também foi duro e disse que o ex-governador havia jogado sua história política “na lata do lixo”. Naquele momento, a frase soou como reação de adversário à troca de campo.
Depois das convenções, ganhou outro significado. Lessa abriu mão de espaço político, de cargos, de uma candidatura ao Senado e de uma alternativa para deputado federal. Fez tudo isso apostando na vice de JHC. Virou a casaca. E acabou na segunda suplência.
