Eleições 2026
Caiado diz que buscará perfil de Gakiya para ministro da Segurança
Promotor recusou convite para integrar eventual governo do candidato à Presidência por incompatibilidade com cargo no Ministério Público
O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta quarta-feira (12) que pretende buscar alguém com perfil semelhante ao do promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), para assumir o Ministério da Segurança Pública em um eventual governo.
Caiado havia convidado Gakiya para ocupar o cargo, mas o promotor recusou a proposta por considerar que a função seria incompatível com sua atuação no Ministério Público.
"Ele [Gakiya] me disse: 'Eu, na função de promotor, é impossível que possa assumir este cargo'. Mas buscarei um perfil que tenha essas características, de experiência, de capacidade e de inteligência para combater o crime organizado no Brasil", afirmou Caiado durante uma agenda em São Paulo.
Gakiya é conhecido pela atuação, há cerca de duas décadas, no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O promotor é considerado alvo da facção e já recebeu ameaças de morte.
Apesar do convite, os dois também já divergiram publicamente sobre a possibilidade de classificar o PCC como organização terrorista.
Combate ao crime organizado
Durante a declaração, Caiado defendeu o endurecimento das ações contra organizações criminosas e afirmou que o combate às facções exige maior integração entre forças de segurança e serviços de inteligência.
"O terrorismo doméstico é tudo aquilo que coloca em risco o Estado Democrático de Direito, o ir e vir das pessoas, a contaminação da economia formal do Brasil", afirmou.
O candidato também defendeu a ampliação da cooperação com países vizinhos e citou a criação de uma força policial sul-americana, chamada por ele de SUPOL.
Caiado cita morte de delegado
Caiado também mencionou a execução do ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros no litoral paulista em setembro do ano passado.
"Vocês mesmos tiveram um exemplo aqui em São Paulo de um delegado que era eficientíssimo na área de combate às facções criminosas, o delegado Ruy, que foi delegado-geral e que foi chacinado barbaramente no meio da rua", disse.
Para o ex-governador, o episódio demonstra o poder de intimidação adquirido pelas organizações criminosas.
"Isso mostra o poder de intimidação das facções hoje", afirmou Caiado, acrescentando que a situação faz com que "as autoridades se ajoelhem para o crime, se omitam de enfrentá-lo".
