Eleições 2026

Cercada de dúvidas, chapa de JHC pode ficar aberta até dia 15

As atas entregues ao TRE/AL ontem começaram a esclarecer algumas dessas questões

Por Blog de Edivaldo Junior 07/08/2026 12h12
Cercada de dúvidas, chapa de JHC pode ficar aberta até dia 15
Lira e JHC tentam chegar a acordo sobre formação de chapa majoritária - Foto: Reprodução

As convenções terminaram na quarta-feira (5/08), mas a chapa de JHC ainda não está fechada. Longe disso, está cercada de dúvidas e especulações. A quinta-feira (6/08) foi de expectativa sobre o vice, as vagas ao Senado e a participação do PL.

As atas entregues ao TRE/AL ontem começaram a esclarecer algumas dessas questões, mas deixam espaço para mudanças até o registro das candidaturas, em 15 de agosto.

Na prática, Lira e JHC caminham para uma aliança, mas um parece pressionar o outro. Ao fim e ao cabo, Lira quer JHC candidato ao governo, com um vice do PL e ele como primeiro senador.

JHC não quer dar a vice para o PL e estaria decidido a lançar a mulher, Marina Candia, para o Senado - e não mais para a Câmara dos Deputados. Os dois podem resolver tudo ou seguir a queda de braços por mais oito dias.

A ata da Federação União Progressista, presidida por Arthur Lira, confirma a intenção de formar uma coligação com PSDB/Cidadania, PL, PDT, Podemos e Renovação Solidária. A aliança foi condicionada a candidatura ao governo exclusivamente de JHC. Se o PSDB indicar outro nome, União e PP não entram na coligação majoritária. O documento reserva ainda a vice ao PL e a segunda vaga ao Senado ao PSDB/Cidadania.

Arthur Lira fica com a primeira vaga ao Senado. Para a segunda, o PSDB vai indicar Marina Candia. Flávio Bolsonaro declarou apoio, na quinta-feira, a Lira e Marina para o Senado, reforçando uma articulação que já vinha sendo discutida. A ata ajuda a sustentar essa hipótese porque determina que o segundo candidato seja filiado ao PSDB/Cidadania.

Implosão

A escolha de Marina, no entanto, criaria um problema para a chapa de deputada federal do PSDB. Um dos candidatos da própria legenda me disse recentemente que sua saída poderia “implodir” a nominata. A solução para a majoritária, portanto, pode desarrumar a proporcional.

Também não está resolvida a vice. Pela ata de Lira, a indicação pertence ao PL. Nos bastidores, porém, Ronaldo Lessa continuava sendo apontado até a noite de quinta-feira como uma possibilidade para formar a chapa com JHC. Nenhuma das duas alternativas estava confirmada.

A palavra final será de JHC. A convenção do PSDB deu plenos poderes para que a direção conclua as negociações e complete a chapa nos próximos dias. Sua ausência no encontro, porém, chamou atenção e pegou mal. JHC não apareceu para dizer se será candidato nem para explicar como pretende montar sua aliança.

A ata de Lira mostra também o tamanho das condições colocadas pelo ex-presidente da Câmara. A Federação União Progressista só entra na coligação se JHC disputar o governo. Lira ocupa a primeira vaga ao Senado e o PSDB fica com a segunda. O tempo eleitoral para senador também já foi repartido: União Progressista, Renovação Soliária e PL ficam com Lira; PSDB/Cidadania, Podemos e PDT com o segundo candidato.

Mas o próprio documento admite alterações e complementações até o prazo final para os pedidos de registro.

É por isso que, apesar de todas as notícias das últimas horas, ainda é cedo para anunciar a chapa como pronta. Hoje, o desenho mais provável tem JHC para governador e Arthur Lira para o Senado. A partir daí, quase tudo continua em negociação: vice, segunda vaga ao Senado e até os efeitos dessas escolhas sobre as chapas proporcionais.