Eleições 2026

Davi pode ser o maior herdeiro dos votos de Alfredo Gaspar

Essa é a avaliação de diferentes interlocutores da política alagoana

Por Blog de Edivaldo Junior 06/08/2026 12h12
Davi pode ser o maior herdeiro dos votos de Alfredo Gaspar
Davi Davino - Foto: Reprodução

A saída de Alfredo Gaspar da disputa pelo Senado abriu espaço para Arthur Lira e Renan Calheiros. Mas o maior beneficiário pode ser outro: Davi Davino Filho.

Essa é a avaliação de diferentes interlocutores da política alagoana. A explicação está no perfil do eleitorado. Davi e Alfredo têm presença forte em Maceió e na Região Metropolitana, alcançam eleitores mais jovens e procuram representar renovação e mudança na disputa contra nomes tradicionais.

"O Davi é quem mais vai crescere com a saída de Gaspar, no primeiro momento. Vamos esperar uns dias paera avaliar melhor", diz um influente interlocutor do gupo do governo.

Não existe transferência automática de votos. Mas Davi tem características que podem aproximá-lo de uma parcela do eleitorado deixado por Alfredo.

Uma pesquisa Falpe restrita à Grande Maceió já havia mostrado essa proximidade. Alfredo aparecia com 40% e Davi com 36%, tecnicamente empatados. Na capital, os dois lideravam com folga sobre os demais concorrentes.

Davi venceu mais uma etapa nesta quarta-feira (5/08), quando teve sua candidatura ao Senado aprovada na convenção do Republicanos.

O recado aos interessados em retirá-lo da disputa também foi dado: não desistirá para ser vice-governador nem para assumir qualquer outra posição na chapa majoritária.

“Não tenho medo de disputar a eleição, seja contra quem for. Quero ter o direito de disputar. A escolha será do povo, e o povo saberá escolher”, afirmou.

Após a convenção, Davi lembrou nas redes sociais que enfrentou pressões para chegar até aqui. A candidatura chegou a ser ameaçada por negociações partidárias, possíveis coligações e propostas para que ele mudasse de projeto. Ele resistiu.

Candidato sem palanque

Davi deverá fazer uma campanha independente. Provavelmente não terá um candidato ao governo nem uma chapa presidencial funcionando como seus palanques oficiais. E prefere assim.

O Republicanos evitou formalizar uma coligação que pudesse restringir seus movimentos. Em julho, o próprio Renan Calheiros afirmou que o MDB não faria acordo com o partido caso isso impedisse a candidatura de Davi.

A declaração parecia uma defesa do direito de candidatura. Politicamente, também revelava que ainda existiam movimentos para retirá-lo da disputa.

Essas pressões não desapareceram completamente. Davi chegou a ser citado como possível vice de Renan Filho e ouviu propostas para rever sua candidatura ao Senado. Avaliou, porém, que uma mudança às vésperas das convenções poderia não ser compreendida pelo eleitor, sobretudo depois de construir sua trajetória como opositor dos Calheiros. A opção foi permanecer no caminho escolhido.

Davi caminhará sem uma coligação majoritária própria, mas com um discurso que pode ganhar força exatamente por isso: o de candidato independente, sem compromissos com os dois principais grupos.

A disputa continua difícil. Arthur e Renan têm estruturas maiores, alianças municipais e presença consolidada em todo o Estado. Davi terá de ampliar sua votação no interior e transformar independência em vantagem, não em isolamento.

Mas ele venceu a primeira batalha: conseguiu chegar à urna. A saída de Alfredo Gaspar pode ter limpado o caminho de Arthur Lira. Pode também ter reduzido um adversário importante de Renan Calheiros. Mas talvez tenha aberto, principalmente, uma avenida para Davi Davino Filho. Se ele conseguirá ocupá-la, essa é outra história.