Eleições 2026
Lula sela chapa com Alckmin, critica Bolsonaro e rebate Milei em convenção
O PSB oficializou nesta quarta-feira (29) a indicação do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, para compor novamente a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Convenção do PSB confirma Alckmin na vice de Lula e reúne críticas ao bolsonarismo e à extrema-direita, com momentos de descontração sobre futebol.
O PSB oficializou nesta quarta-feira (29) a indicação do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, para compor novamente a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repetindo a aliança vitoriosa de 2022. A formalização ocorreu durante a convenção nacional do partido, em Brasília. Com a decisão, o PSB se torna o segundo partido — depois do PDT — a declarar apoio à candidatura de Lula à reeleição.
O evento destacou o contraste com o campo adversário: enquanto Lula e Alckmin mantêm a parceria, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve sua candidatura à Presidência oficializada pelo PL sem um nome definido para vice.
Lula afirmou estar "feliz" com a aprovação de Alckmin na convenção. Em tom descontraído, devolveu a brincadeira do vice-presidente com uma indireta aos rivais: "Com o Alckmin, nunca vamos pensar se vai ter um golpe no dia seguinte".
O presidente elogiou a postura de Alckmin durante o mandato: "O Alckmin é um homem de muita honestidade". O tom conciliador deu lugar a críticas contundentes ao ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado por Lula de "homicida" e responsabilizado por metade das mortes por Covid-19 no país.
"Não há nenhuma razão, mesmo que só erremos daqui para frente, para que percamos essas eleições."
A renovação da parceria entre Lula e Alckmin une dois ex-adversários que disputaram o segundo turno da eleição presidencial em 2006.
Lula também respondeu às provocações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL. O presidente brasileiro condenou a "patacoada que fez aqui o Milei" e afirmou não pretender alimentar embates pessoais.
"Gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa."
Em seu discurso, Alckmin rebateu o discurso de setores da extrema-direita, dirigindo críticas ao bolsonarismo.
"Há não muito tempo atrás víamos os extremistas falarem em Deus, Pátria, Família e Liberdade, mas não é possível usar o nome de Deus em vão para promover o ódio e arquitetar o assassinato daqueles que o povo legitimamente elegeu. Pátria é união, não é entreguismo, e não trabalhar de maneira servil fora do país. Família é paixão. Não é possível falar em famílias quando se tem 700 mil famílias devastadas pela Covid e pelo descaso. Não é possível falar em liberdade querendo derrubar a democracia."
O vice-presidente também questionou a legitimidade de candidaturas que não reconhecem as regras democráticas: "Quem não acredita na democracia não devia nem disputar a eleição".
Alckmin ainda fez um balanço da gestão, comparando o cenário atual ao herdado do governo anterior: "O presidente Lula recebeu um governo que não tinha dinheiro nem para pagar o Bolsa Família". E completou: "Onde a gente pensar, a gente vai ver que avançamos".
Encerrando em tom leve, Alckmin brincou sobre a rivalidade esportiva com Lula, reafirmando a parceria eleitoral.
"Nós não somos iguais, ele é corinthiano, eu sou santista. Conte conosco, presidente Lula, nessa jornada."
No palco, o presidente do PSB, João Campos, pré-candidato ao governo de Pernambuco, projetou crescimento para a legenda no Congresso. Segundo ele, o partido pretende dobrar sua bancada e garantiu que o PSB estará ao lado de Lula nos 27 estados do país.

