Eleições 2026
Lula defende restrição ao uso de inteligência artificial durante eleições
Durante evento na Bahia, ele afirmou que, embora a IA seja importante em áreas como saúde e educação, seu uso em campanhas pode favorecer mentiras e distorcer a escolha dos eleitores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (14), a adoção de medidas para restringir o uso de inteligência artificial (IA) durante o período eleitoral.
Durante o lançamento de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Camaçari (BA), Lula alertou para o risco de manipulação de imagens e vozes, que pode favorecer a disseminação de informações falsas.
“Eu estava na posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral [ministro Nunes Marques] e ele disse assim: ‘Vou proibir inteligência artificial dois dias antes das eleições’. E eu achei maravilhoso”, relatou Lula.
O presidente explicou os perigos do uso indevido da tecnologia: “O que é inteligência artificial? É a maior evolução desse mundo digital. Posso colocar a cara do Wagner, posso colocar a voz do Wagner, mas não é o Wagner. Posso colocar a sua cara, mas não é você. Posso colocar a sua voz, mas não é você. Posso colocar você fazendo uma coisa boa ou fazendo uma coisa ruim”, afirmou.
Lula reconheceu o valor da IA em áreas como saúde, educação, ciência e tecnologia, mas ponderou sobre sua aplicação em campanhas eleitorais.
“Tem uma importância muito grande. Mas, na eleição, será que é necessário inteligência artificial? Na eleição, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar em uma mentira.”
O presidente questionou: “Você escolheria um padrinho para o seu filho pela inteligência artificial? Ou você quer conhecer uma pessoa que você gosta, que sabe que é decente, que é honesta para dar o seu filho para ser batizado?”
Lula também refletiu sobre a necessidade de debater o tema no Legislativo: “Fiquei pensando o que a gente pode fazer para proibir, em época de eleição, sobre eleição, falar de inteligência artificial na política. Isso vai servir aos mentirosos. Como é mentira, posso falar todo bonitão. E a política é o templo da verdade. O cara que mente na política, deveria cair a língua dele.”
O presidente reforçou que o eleito deve zelar pela verdade: “É melhor dizer que não pode fazer do que dizer que vai fazer e não fazer. É importante que a gente tenha em conta o que pode ser feito, do ponto de vista Legislativo, pra gente discutir com verdade esse negócio de inteligência artificial”.
“Se a gente quiser, a gente pode fazer o Lula artificial. Fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu [mãe de Lula] não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política”, declarou.
Lula concluiu: “Se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos olhos dele para saber quem está mentindo. Vocês estão vendo na televisão: a verdade tarda, mas não falha. Minha mãe dizia: mentira tem perna curta. Pode causar prejuízo”.


