Economia
Indústrias do Agreste Alagoano discutem gestão de resíduos e economia circular
Encontro em Arapiraca reuniu especialistas para apresentar alternativas de reaproveitamento de materiais e redução de custos na produção industrial
A gestão de resíduos e a economia circular foram temas de um encontro realizado nesta quarta-feira (28), no SENAI Agreste Sertão, em Arapiraca. A nova edição do Diálogo com a Indústria reuniu especialistas e representantes do setor produtivo para discutir alternativas de reaproveitamento de materiais, redução de desperdícios e geração de oportunidades de negócios.
Com o tema “Gestão de Resíduos e Economia Circular: transformando desafios ambientais em valor para a indústria”, o evento teve como palestrante a engenheira ambiental Gleiciane Carvalho Blanc, coordenadora de Consultoria e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D+I) do Instituto SENAI de Tecnologia em Meio Ambiente e Química, em Curitiba (PR).
Durante a apresentação, a especialista explicou que a economia circular propõe substituir o modelo de produção baseado no consumo e descarte por práticas que permitam reintegrar materiais à cadeia produtiva. Com isso, resíduos podem ser transformados em matéria-prima, insumos ou fontes de energia.
“Para as empresas, isso pode representar menor consumo de recursos naturais, redução de despesas com destinação de resíduos e novas possibilidades de negócios”, enfatiza a palestrante.
Segundo Gleiciane, a adoção dessas práticas depende de planejamento e análise das particularidades de cada atividade. “O primeiro passo é conhecer os resíduos gerados, identificar o que pode ser reaproveitado e buscar soluções tecnicamente viáveis”, resume.
Como exemplo, ela citou a possibilidade de reaproveitamento do sangue descartado durante o processamento de carnes em frigoríficos.
“Vamos pensar no caso de um frigorífico: uma alternativa de redução de desperdício é colocar calhas na linha de produção para recolher o sangue e poder reaproveitar ele como um novo produto. Dá para fazer farinha, dá para fazer outros produtos com base no sangue recolhido e não deixar ele desperdiçar no chão”, exemplifica.
Resíduos como recursos
A dimensão do desafio também aparece nos dados nacionais. De acordo com a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o Brasil produziu cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2022, o equivalente a aproximadamente 1,04 quilo por habitante ao dia.
No Nordeste, o avanço da economia circular depende da ampliação da coleta seletiva, da infraestrutura de processamento e da integração entre empresas, fornecedores, poder público e prestadores de serviços ambientais.
Entre as possibilidades para a região está o aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético. Materiais como bagaço, vinhaça e torta de filtro podem ser utilizados na produção de biometano, bioenergia e outros biocombustíveis.
As iniciativas contribuem para reduzir o impacto ambiental das atividades industriais e podem gerar oportunidades de investimento e parcerias.
“Aproximar essas possibilidades das indústrias do Agreste e do Sertão pode favorecer ganhos de eficiência e estimular novos negócios”, afirma o diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), Julio Zorzal.
Promovido pelo SENAI Alagoas, o Diálogo com a Indústria busca aproximar empresas, especialistas e soluções tecnológicas, com discussões sobre temas estratégicos para o desenvolvimento do setor produtivo.
“A indústria alagoana precisa incorporar essa discussão à sua estratégia de desenvolvimento. Levar esse debate ao Agreste e ao Sertão é essencial para que empresas de diferentes regiões tenham condições de se preparar para as transformações da indústria”, conclui Zorzal.
*Com informações da assessoria
