Economia

Tesouro anuncia recompra de títulos para conter oscilações no mercado

Medida prevê nova operação com títulos públicos após recompra de R$ 14,8 bilhões na segunda-feira

Por Agência Brasil com Redação 27/10/2026 14h02
Tesouro anuncia recompra de títulos para conter oscilações no mercado
IBGE aponta crescimento do PIB - Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira (27) uma nova operação de recompra de títulos públicos para conter possíveis instabilidades no mercado financeiro. A medida abrange Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B) com vencimentos em 15 de agosto de 2030, 15 de maio de 2035, 15 de agosto de 2040 e 15 de maio de 2045. As regras do leilão serão detalhadas em edital a ser publicado no site da instituição.

A iniciativa foi autorizada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, a realização de novas operações depende das condições do mercado e da necessidade de atuação do governo federal.

“Na medida em que estivessem colocadas as condições e a necessidade [do governo federal] de fazer uma intervenção”, afirmou o ministro a jornalistas, em Brasília, ao comentar os critérios para anunciar a recompra.

Além da nova operação, a Secretaria do Tesouro Nacional informou que cancelou o próximo leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Conhecidos como Tesouro Selic, esses títulos públicos de renda fixa têm seus rendimentos vinculados à taxa básica de juros da economia.

Reação às eleições


Na segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições gerais, o Tesouro Nacional recomprou mais de R$ 14,8 bilhões em títulos públicos. O resultado da disputa presidencial, vencida pelo candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, foi apontado pelo ministro como um dos fatores relacionados aos movimentos observados no mercado.

A recompra é uma medida extraordinária utilizada para enfrentar eventuais instabilidades financeiras. Durigan classificou as oscilações registradas na segunda-feira como “variações” provocadas pelo ajuste das expectativas dos investidores diante do resultado eleitoral.

“O mercado estava apostando em um determinado candidato, mas um outro, o presidente Lula, conseguiu uma vitória histórica. [Neste contexto] É natural que uma ‘troca de posições’ cause um desarranjo [temporário] no mercado”, disse o ministro aos jornalistas.

Durigan também demonstrou confiança na retomada da estabilidade das negociações e afirmou esperar que os movimentos do mercado ocorressem sem grandes oscilações.

“Espero que hoje a gente mantenha o nível de racionalidade. Não estou falando de nível de preços, até porque não me compete falar sobre isso, mas de racionalidade, sem grandes oscilações”, acrescentou.