Economia
Reeleição de Lula fortalece estabilidade nas relações Brasil-China
Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos no segundo turno, superando o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), que obteve 48,22%
Logo após agradecer ao povo brasileiro nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou um inédito quarto mandato em uma virada eleitoral histórica. A vitória de Lula rapidamente repercutiu internacionalmente, tanto pelos impactos no cenário político latino-americano quanto pelas possíveis consequências nas relações entre Brasil e China.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos no segundo turno, superando o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), que obteve 48,22%. O presidente tomará posse em 5 de janeiro de 2027 para um mandato de quatro anos, tornando-se o primeiro presidente eleito quatro vezes no Brasil. O resultado também marcou a primeira vez em que um candidato à Presidência brasileira reverteu uma desvantagem do primeiro turno para vencer no segundo.
A vitória ocorre em meio a mudanças políticas na América Latina e à intensificação da disputa geopolítica na região. Veículos internacionais destacaram possíveis efeitos para as relações do Brasil com China e Estados Unidos, além do papel brasileiro na articulação do Sul Global. O South China Morning Post destacou que a reeleição prolonga uma gestão em que os investimentos chineses no Brasil atingiram níveis recordes.
Em entrevista ao Global Times, Pan Deng, diretor do Centro de Direito para a América Latina e o Caribe da Universidade de Ciência Política e Direito da China, afirmou que a reeleição de Lula trouxe estabilidade e previsibilidade às relações sino-brasileiras.
Segundo ele, os consensos firmados durante a visita de Lula à China em 2023 e os contatos de alto nível fortaleceram a confiança mútua e forneceram diretrizes estratégicas para a cooperação bilateral.
Pan acrescentou que a cooperação com a China conta com amplo apoio político no Brasil e tende a resistir às divisões internas. Ele também destacou o encontro realizado em setembro entre o chanceler chinês Wang Yi e o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, que reafirmaram o compromisso de ampliar a parceria bilateral e promover um desenvolvimento mais sustentável.
A China permanece como principal parceiro comercial do Brasil. Nos primeiros nove meses de 2026, o comércio bilateral atingiu o recorde de US$ 143,3 bilhões (cerca de R$ 729,3 bilhões), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China. As exportações brasileiras ao mercado chinês somaram US$ 84,7 bilhões (aproximadamente R$ 431,1 bilhões), enquanto as importações chegaram a US$ 58,6 bilhões (mais de R$ 298,2 bilhões).
Para os próximos anos, analistas apontam potencial de expansão da cooperação em áreas como energias renováveis, proteção ambiental, economia digital, inteligência artificial (IA) e setor aeroespacial. Xu Shicheng, vice-presidente da Sociedade Chinesa de Estudos Latino-Americanos, afirmou à imprensa que a reeleição de Lula pode elevar as relações bilaterais a um novo patamar, impulsionando setores como veículos elétricos, infraestrutura e tecnologias avançadas.
Especialistas avaliam que a continuidade do governo Lula deve preservar a atuação conjunta de Brasil e China no BRICS e em pautas do Sul Global, incluindo reforma da governança internacional, negociações climáticas e desenvolvimento econômico.
Para Pan, o resultado eleitoral reflete uma busca por maior autonomia e desenvolvimento independente na América Latina, além do fortalecimento da integração regional e da voz dos países em desenvolvimento nos debates globais.

