Economia

Plano Nacional prevê dobrar oferta de energia e ampliar renováveis até 2055

Segundo o PNE, até 99% da eletricidade produzida no país poderá vir de fontes limpas em 2055, com destaque para a expansão da geração eólica e solar

Por Sputnik Brasil com Redação 01/10/2026 05h05
Plano Nacional prevê dobrar oferta de energia e ampliar renováveis até 2055
Foto: © Foto / José Cruz/Agência Brasil

O Brasil precisará expandir significativamente a geração e a infraestrutura elétrica nas próximas três décadas para atender ao aumento da demanda, conforme aponta o Plano Nacional de Energia (PNE) 2055. O documento projeta que o consumo de eletricidade poderá quadruplicar até 2055, enquanto a participação de fontes renováveis na oferta energética deve ultrapassar 80%.

Segundo o PNE, até 99% da eletricidade produzida no país poderá vir de fontes limpas em 2055, com destaque para a expansão da geração eólica e solar. A expectativa é de forte crescimento da demanda, impulsionado pelo avanço da atividade econômica e por novos usos da eletricidade, como a ampliação da frota de veículos elétricos.

Para acompanhar esse cenário, o governo estima que serão necessários robustos investimentos na rede de transmissão, que deverá ser triplicada até 2055. O plano também destaca a importância da eficiência energética, que pode reduzir em mais de 25% o consumo final projetado para o período, aliviando a pressão sobre o sistema elétrico.

No entanto, a transição energética não prevê o abandono total das fontes convencionais: o gás natural seguirá sendo utilizado para garantir segurança e flexibilidade ao sistema durante a expansão das renováveis. Já os biocombustíveis devem ganhar ainda mais espaço, com possibilidade de produção até cinco vezes maior nas próximas três décadas.

Atualmente, as fontes renováveis representam cerca de 50% da oferta interna de energia no Brasil, enquanto sua participação na matriz elétrica chegou a 86,8%, de acordo com o Balanço Energético Nacional 2026 da EPE.

Gás natural para data centers

No início de setembro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu o uso do gás natural para suprir a crescente demanda dos data centers e destacou a necessidade de o Brasil investir em inteligência artificial para manter-se competitivo na corrida tecnológica.

Silveira ressaltou que o aumento do consumo de eletricidade nos data centers exige novas alternativas de geração. Citando os Estados Unidos como exemplo, o ministro argumentou que o Brasil deve aproveitar o ambiente regulatório e energético favorável para atrair investimentos no setor.

"Eu sou um defensor do gás natural, porque os Estados Unidos estão fazendo agora 6,5 gigawatts de térmicas a gás natural para data centers. Nós temos todo o ambiente de produção e geração de energia, além do ambiente regulatório e legal, com a aprovação do Redata [Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter], para atrair grandes data centers para o Brasil — o que é fundamental para sermos protagonistas, inclusive na IA."

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