Economia

Desemprego recua para 5,3%, mas inadimplência atinge recorde

Por Sputnik Brasil 29/09/2026 13h01
Desemprego recua para 5,3%, mas inadimplência atinge recorde
Foto: © Foto / Marcelo Camargo / Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro segue aquecido, com a taxa de desemprego caindo para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, igualando o menor patamar recente, segundo dados do IBGE. No entanto, o avanço recorde da inadimplência e a desaceleração na criação de vagas reforçam sinais de perda de fôlego da economia, após um longo período de juros elevados.

A taxa de ocupação atingiu o recorde de 103,5 milhões de pessoas, evidenciando a força do mercado de trabalho. Por outro lado, informações do Banco Central (BC) apontam que a inadimplência média nas operações de crédito subiu para 5%, o maior nível desde o início da série histórica em 2011.

Economistas ouvidos pela imprensa nacional destacam que, embora o mercado de trabalho permaneça resiliente, já são visíveis sinais de desaceleração da atividade econômica. O cenário de juros altos, crédito mais caro e menor ritmo de geração de empregos sugere enfraquecimento da demanda interna e do crescimento econômico.

Para Leonardo Costa, economista da ASA Investimentos, apesar do desemprego baixo e estável, a criação de vagas tem perdido intensidade, com quedas sistemáticas da massa salarial efetiva — um fator que pode indicar um ambiente menos favorável ao consumo das famílias nos próximos meses.

A desaceleração já era prevista pelo mercado devido à política monetária restritiva. Com juros elevados, o crédito fica mais caro, desestimulando consumo e investimentos, o que contribui para o controle da inflação. Dados setoriais do IBGE mostram concentração de ocupação na construção civil e na indústria, enquanto demais segmentos permanecem estáveis.

Os indicadores de emprego seguem em níveis historicamente positivos para o país, que registrou 5,8 milhões de desempregados e uma taxa de ocupação de 58,9% da população em idade produtiva. O número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 39,5 milhões, enquanto 13,7 milhões atuavam sem carteira e 26,1 milhões trabalhavam por conta própria.

No crédito, a inadimplência das famílias subiu de 5,8% para 6% em agosto, também atingindo recorde na série histórica do BC. Entre as empresas, a taxa ficou em 3,3%, o maior patamar desde 2017. Nas contas públicas, o Tesouro Nacional registrou déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto.

Apesar do resultado negativo, houve melhora em relação ao déficit de R$ 16,2 bilhões registrado no mesmo mês do ano passado, além de representar o melhor resultado para agosto desde 2021.