Economia
Alagoas vive “revolução silenciosa” na ciência e inovação, diz Fábio Guedes:
Para Fábio, uma das principais mudanças ocorridas no Estado nos últimos dez anos está na ampliação da capacidade de produzir conhecimento
Alagoas está vivendo uma “revolução silenciosa” na ciência, inovação, tecnologia e formação de profissionais de alta qualificação. A avaliação é do economista e professor Fábio Guedes Gomes, ex-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui) , programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.
Para Fábio, uma das principais mudanças ocorridas no Estado nos últimos dez anos está na ampliação da capacidade de produzir conhecimento e formar pesquisadores. “Nós estamos vivendo uma revolução silenciosa”, afirmou.
Segundo os números apresentados por ele durante a entrevista, Alagoas tinha há cerca de dez anos pouco mais de 2,4 mil pesquisadores. Em 2025, esse contingente teria chegado a 13.268.
O crescimento também aparece entre os profissionais com doutorado. Fábio afirmou que o Estado saiu de pouco mais de 1,3 mil pesquisadores doutores para 9.474 em aproximadamente uma década.
Outro indicador citado foi a expansão da pós-graduação. Alagoas tinha pouco mais de 40 programas e atualmente conta com cerca de 80, vários deles, segundo o professor, com avaliações elevadas.
O avanço, na avaliação de Fábio, começa a alterar inclusive a relação de Alagoas com outros centros acadêmicos do país. “Alagoas virou um hub de produção de conhecimento e de atração de talentos”, disse.
Ele observa que, durante muitos anos, estudantes precisavam deixar o Estado para cursar mestrado e doutorado. Agora, além da ampliação dos programas locais, a oferta de bolsas tem ajudado a trazer pesquisadores de outras regiões.
Fábio destacou que 71% dos estudantes matriculados na pós-graduação em Alagoas contam atualmente com bolsas de mestrado ou doutorado e afirmou que os valores pagos pelo Estado são superiores aos das bolsas federais.
Mercado
O ex-presidente da Fapeal citou laboratórios vinculados às universidades alagoanas que desenvolvem projetos para grandes empresas e programas nacionais, além de startups e empresas de tecnologia instaladas no Centro de Inovação, em Jaraguá.
Segundo ele, profissionais formados em Alagoas já trabalham para empresas de outros estados e até de outros países sem precisar deixar Maceió. A mudança é ainda mais significativa quando comparada ao cenário de uma década atrás.
Fábio lembra que Alagoas chegou a planejar polos tecnológicos no interior, mas enfrentava uma dificuldade básica: faltavam pesquisadores e profissionais capacitados para ocupar essas estruturas.
“Não tínhamos massa crítica. Não tínhamos gente para tocar esses polos”, afirmou. Hoje, na avaliação dele, a situação se inverteu. “Hoje a gente pode construir uns cinco.”
Para Fábio, estradas, hospitais e segurança pública continuam fundamentais para o desenvolvimento de Alagoas. Mas a transformação de longo prazo depende principalmente de outro investimento. “Mais importante do que tudo isso é investir no ser humano.”
É aí que, segundo ele, acontece a revolução que ainda passa quase despercebida: Alagoas deixou de ser apenas consumidor de conhecimento e começa a se consolidar também como lugar de formação, pesquisa, inovação e atração de talentos.
