Economia

Alagoas vive “revolução silenciosa” na ciência e inovação, diz Fábio Guedes:

Para Fábio, uma das principais mudanças ocorridas no Estado nos últimos dez anos está na ampliação da capacidade de produzir conhecimento

Por Blog Edivaldo Junior 28/08/2026 12h12
Alagoas vive “revolução silenciosa” na ciência e inovação, diz Fábio Guedes:
Fábio Guedes durante entrevista com Edivaldo Junior. - Foto: Reprodução Youtube

Alagoas está vivendo uma “revolução silenciosa” na ciência, inovação, tecnologia e formação de profissionais de alta qualificação. A avaliação é do economista e professor Fábio Guedes Gomes, ex-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui) , programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.

Para Fábio, uma das principais mudanças ocorridas no Estado nos últimos dez anos está na ampliação da capacidade de produzir conhecimento e formar pesquisadores. “Nós estamos vivendo uma revolução silenciosa”, afirmou.

Segundo os números apresentados por ele durante a entrevista, Alagoas tinha há cerca de dez anos pouco mais de 2,4 mil pesquisadores. Em 2025, esse contingente teria chegado a 13.268.

O crescimento também aparece entre os profissionais com doutorado. Fábio afirmou que o Estado saiu de pouco mais de 1,3 mil pesquisadores doutores para 9.474 em aproximadamente uma década.

Outro indicador citado foi a expansão da pós-graduação. Alagoas tinha pouco mais de 40 programas e atualmente conta com cerca de 80, vários deles, segundo o professor, com avaliações elevadas.

O avanço, na avaliação de Fábio, começa a alterar inclusive a relação de Alagoas com outros centros acadêmicos do país. “Alagoas virou um hub de produção de conhecimento e de atração de talentos”, disse.

Ele observa que, durante muitos anos, estudantes precisavam deixar o Estado para cursar mestrado e doutorado. Agora, além da ampliação dos programas locais, a oferta de bolsas tem ajudado a trazer pesquisadores de outras regiões.

Fábio destacou que 71% dos estudantes matriculados na pós-graduação em Alagoas contam atualmente com bolsas de mestrado ou doutorado e afirmou que os valores pagos pelo Estado são superiores aos das bolsas federais.

Mercado

O ex-presidente da Fapeal citou laboratórios vinculados às universidades alagoanas que desenvolvem projetos para grandes empresas e programas nacionais, além de startups e empresas de tecnologia instaladas no Centro de Inovação, em Jaraguá.

Segundo ele, profissionais formados em Alagoas já trabalham para empresas de outros estados e até de outros países sem precisar deixar Maceió. A mudança é ainda mais significativa quando comparada ao cenário de uma década atrás.

Fábio lembra que Alagoas chegou a planejar polos tecnológicos no interior, mas enfrentava uma dificuldade básica: faltavam pesquisadores e profissionais capacitados para ocupar essas estruturas.

“Não tínhamos massa crítica. Não tínhamos gente para tocar esses polos”, afirmou. Hoje, na avaliação dele, a situação se inverteu. “Hoje a gente pode construir uns cinco.”

Para Fábio, estradas, hospitais e segurança pública continuam fundamentais para o desenvolvimento de Alagoas. Mas a transformação de longo prazo depende principalmente de outro investimento. “Mais importante do que tudo isso é investir no ser humano.”

É aí que, segundo ele, acontece a revolução que ainda passa quase despercebida: Alagoas deixou de ser apenas consumidor de conhecimento e começa a se consolidar também como lugar de formação, pesquisa, inovação e atração de talentos.