Economia

Receita Federal arrecada R$ 3,1 bilhões com IR sobre dividendos até julho

Inicialmente, a estimativa do governo era arrecadar cerca de R$ 28 bilhões com o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês

Por Agência Brasil 26/08/2026 17h05
Receita Federal arrecada R$ 3,1 bilhões com IR sobre dividendos até julho

Principal alternativa do governo para compensar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil, a tributação sobre lucros e dividendos segue arrecadando menos do que o previsto. De janeiro a julho, a Receita Federal somou R$ 3,145 bilhões com o novo imposto, o que equivale a apenas 18,3% da previsão revisada de R$ 17,2 bilhões para todo o ano de 2026.

Inicialmente, a estimativa do governo era arrecadar cerca de R$ 28 bilhões com o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês. O valor foi reduzido para R$ 17,2 bilhões no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, divulgado em julho.

Do total arrecadado até julho:

• R$ 2,043 bilhões vieram de dividendos pagos a residentes no Brasil;

• R$ 1,102 bilhão correspondeu a valores pagos ou remetidos ao exterior;

• Somente em julho, foram arrecadados R$ 906,65 milhões, o maior resultado mensal desde o início da cobrança.

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Receita sobe mês a mês

Mesmo abaixo da meta anual, a arrecadação com o IR sobre dividendos vem crescendo ao longo de 2026. Os valores saltaram de R$ 5,5 milhões em janeiro para R$ 906,65 milhões em julho. Veja a evolução mensal:

• Janeiro: R$ 5,5 milhões;

• Fevereiro: R$ 151,5 milhões;

• Março: R$ 306,6 milhões;

• Abril: R$ 421,5 milhões;

• Maio: R$ 651,9 milhões;

• Junho: R$ 701,5 milhões;

• Julho: R$ 906,65 milhões.

Fonte: Receita Federal

A participação dos dividendos remetidos ao exterior também aumentou durante o ano. Em julho, a arrecadação nessa modalidade foi de R$ 419,28 milhões, ante R$ 5 milhões em janeiro.

Receita vê incerteza

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que ainda não há elementos técnicos suficientes para concluir que a arrecadação esteja abaixo do esperado.

“Tecnicamente, não há fundamentos para dizer que a arrecadação com IRRF sobre dividendos está abaixo do esperado”, afirmou.

Segundo Malaquias, a distribuição de lucros pelas empresas não segue um calendário fixo e pode variar ao longo do ano.

“A distribuição de dividendos é um ato voluntário das empresas, com critérios próprios, e não existe uma data predeterminada para que as companhias realizem a distribuição”, explicou.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros acrescentou que as projeções são reavaliadas periodicamente.

“A base de dividendos considerada nas projeções é a que vinha sendo apresentada pelas empresas. Pode ser alterada? Pode. Por isso, a cada dois meses fazemos a revisão”, declarou.

Nova regra

A tributação dos dividendos entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, após mudanças promovidas pela Lei 15.270, de novembro de 2025.

Para pessoas físicas residentes no Brasil, passou a incidir IR de 10% sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa no mesmo mês, quando o valor ultrapassa R$ 50 mil a cada 30 dias.

Para lucros e dividendos pagos, creditados ou remetidos ao exterior, também foi estabelecida alíquota de 10%.

A medida foi criada como parte do mecanismo de compensação pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que passou a beneficiar quem recebe até R$ 5 mil por mês, além da redução do imposto para contribuintes com renda mensal de até R$ 7.350.

Impacto nas contas

A equipe econômica estimou inicialmente que a ampliação da isenção do IRPF provocaria uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 28,04 bilhões em 2026.

A tributação dos dividendos foi planejada para compensar parte desse impacto. No entanto, a arrecadação até julho ainda está distante da previsão anual, mesmo após a revisão para R$ 17,2 bilhões.

A Receita ressalta, porém, que a arrecadação sobre dividendos não ocorre de forma linear. Enquanto o imposto descontado dos salários produz efeitos mensais mais previsíveis, a receita com dividendos depende das decisões das empresas sobre quando distribuir seus lucros.

O ajuste definitivo relacionado ao chamado imposto mínimo sobre altas rendas será feito posteriormente, na declaração anual.

Revisão em setembro

Questionado sobre a possibilidade de arrecadar cerca de R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro para atingir a previsão revisada, Malaquias afirmou que o Fisco seguirá o calendário oficial de acompanhamento das contas públicas.

“A Receita Federal obedece a esse regramento. Qualquer antecipação feita de informações de natureza fiscal e econômica fora das regras, a Receita estaria extrapolando seu papel institucional”, disse.

A próxima revisão das projeções ocorrerá na divulgação de setembro do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.