Economia

Fazenda estuda mudanças para ampliar crédito a motoristas de aplicativos

No mesmo encontro, o governo fez um balanço dos programas de crédito e discutiu medidas relacionadas ao comércio exterior

Por Agência Brasil com Redação 20/08/2026 06h06
Fazenda estuda mudanças para ampliar crédito a motoristas de aplicativos

Em vigor desde 27 de julho, o Programa Move Brasil, voltado para motoristas de aplicativo e taxistas, pode passar por mudanças para aumentar a adesão. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (19) que a equipe econômica avalia alterações para ampliar a participação de bancos privados no programa.

“Existem alterações que podem ser feitas, não só do ponto de vista legal do programa, mas também ajustes junto aos bancos, especialmente na integração com as plataformas para receber informações sobre a renda dos motoristas. Essas possibilidades ainda estão em avaliação”, explicou Durigan após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros, no Palácio da Alvorada.

    No mesmo encontro, o governo fez um balanço dos programas de crédito e discutiu medidas relacionadas ao comércio exterior e à resposta brasileira às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

    Adesão abaixo do esperado

    O Move Brasil oferece linhas de crédito com juros reduzidos para a compra de veículos destinados ao trabalho de motoristas de aplicativo e taxistas. O programa permite o financiamento de carros novos de até R$ 150 mil, além de seminovos, motocicletas e bicicletas.

    De acordo com Durigan, os bancos públicos, especialmente Banco do Brasil e Caixa, têm maior participação, enquanto as instituições privadas demonstram menor interesse em conceder crédito dentro do programa.

    “O que temos observado é uma participação mais expressiva dos bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa, e menos apetite dos bancos privados. Estamos em diálogo para entender por que, mesmo com a garantia do governo, a adesão não atingiu o patamar inicialmente esperado”, afirmou o ministro.

    Apesar do desempenho abaixo das projeções, Durigan destacou que o volume de operações é relevante.

    “Ainda que não tenhamos um grande resultado como se esperava, estamos avançando de maneira razoavelmente satisfatória, com espaço para seguir dialogando e aprimorar as condições”, avaliou.

    Mudanças em análise

    O ministro afirmou que a equipe econômica pretende testar possíveis ajustes com bancos privados e avaliar se as mudanças podem ampliar o volume de financiamentos.

    Entre as alternativas está o aprimoramento da integração com plataformas utilizadas pelos motoristas, especialmente para facilitar o acesso a informações sobre a renda dos trabalhadores.

    Segundo Durigan, o desempenho geral dos programas é considerado positivo, embora o Move Brasil para carros ainda apresente resultados inferiores ao esperado.

    Outros programas de crédito

    Durante a reunião com Lula, os ministros também analisaram o desempenho de outros programas de crédito lançados recentemente pelo governo.

    Entre os temas discutidos estavam linhas de crédito para caminhões e ônibus, financiamento de motocicletas, o Programa Desenrola e medidas de apoio a trabalhadores e empresas.

    Lei de Reciprocidade

    O ministro também afirmou que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica não deve prejudicar as negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo governo norte-americano.

    Na semana passada, o governo brasileiro iniciou o processo para avaliar a adoção de medidas de reciprocidade diante da tarifa de 37,5% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

    Durigan afirmou que o governo pretende manter aberta a negociação diplomática com Washington.

    “Nossa disposição para negociação é total, em todas as oportunidades temos feito gestos de diálogo. O próprio presidente Lula disse que conversaria com o presidente [dos EUA, Donald] Trump e estamos sempre muito prontos”, afirmou.

    O ministro acrescentou que a adoção do mecanismo de reciprocidade pode contribuir para as tratativas.

    “Não vai atrapalhar, pode ajudar, até porque vamos conduzir o processo de reciprocidade com cautela, ouvindo os setores afetados”, ressaltou.

    Reciprocidade em análise

    A abertura do processo pelo governo não significa a aplicação imediata de novas tarifas contra produtos norte-americanos. Neste momento, o Brasil pretende realizar consultas diplomáticas e avaliar os impactos das medidas adotadas pelos Estados Unidos.

    A análise foi aberta com base na Lei 15.122/2025, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica. O mecanismo prevê a possibilidade de adoção de medidas pelo Brasil diante de ações unilaterais de outros países que prejudiquem as exportações brasileiras.