Economia
Alagoas gasta R$ 2,6 mil por mês com cada preso, aponta painel
Estado gastou mais de R$ 481 milhões com o sistema penitenciário em 2025, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais
O custo médio mensal de cada pessoa privada de liberdade em Alagoas chegou a R$ 2.637,75 em 2025, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). O valor coloca o estado na quinta posição entre os maiores custos por preso do Nordeste e representa uma despesa superior ao salário mínimo de R$ 1.518,00 vigente naquele ano.
De acordo com o painel Custo por Preso, mantido pela Senappen, o sistema penitenciário alagoano registrou R$ 481.491.071,69 em despesas durante 2025. Desse montante, R$ 180.944.999,13 foram destinados ao pagamento de pessoal, enquanto R$ 300.546.072,56 correspondem a outras despesas.
O levantamento permite dimensionar o volume de recursos necessários para manter a estrutura penitenciária em funcionamento, que envolve gastos com servidores, alimentação, segurança, transporte, saúde, tecnologia e manutenção das unidades.
Alagoas aparece entre os maiores custos do Nordeste
No ranking regional, o estado ficou atrás da Bahia, que registrou o maior custo médio do Nordeste, de R$ 4.011,58 por preso ao mês. Na sequência aparecem Maranhão, com R$ 3.421,28, Sergipe, com R$ 3.092,23, e Piauí, com R$ 2.971,02.
Pernambuco aparece logo depois de Alagoas, com custo de R$ 2.627,56 por detento. O Ceará registrou R$ 2.428,36, enquanto a Paraíba teve o menor valor entre os estados nordestinos, com R$ 1.943,20.
Os dados apresentados pela Senappen mostram ainda que os valores variam significativamente entre as unidades da federação, refletindo diferenças na estrutura, no número de servidores e nas demais despesas relacionadas ao sistema prisional.
Amapá registra maior custo do país
No levantamento nacional, o Amapá apresentou o maior custo médio mensal por pessoa presa, chegando a R$ 4.512. A Bahia ficou na segunda posição, seguida por Minas Gerais, com R$ 3.824.
Já o Paraná registrou o menor custo médio do país, de R$ 1.529 mensais por detento. Mesmo assim, o valor permaneceu acima do salário mínimo nacional vigente em 2025.
Em valores absolutos, São Paulo concentrou o maior orçamento destinado ao sistema penitenciário, com R$ 5,9 bilhões. Minas Gerais aparece em seguida, com R$ 3,6 bilhões, enquanto o Paraná registrou R$ 1,7 bilhão.
Roraima teve o menor orçamento prisional entre os estados, com R$ 143,1 milhões.
Sistema prisional brasileiro consumiu R$ 26,7 bilhões
Em todo o país, as despesas com o sistema penitenciário chegaram a R$ 26,7 bilhões em 2025, segundo o levantamento da Senappen. O resultado representa o maior gasto anual registrado nos últimos seis anos.
Dezembro foi o mês com maior volume de despesas, alcançando aproximadamente R$ 3,1 bilhões.
Para Leonardo Sant’Anna, especialista internacional em segurança ouvido pelo Metrópoles, o custo está relacionado a uma série de serviços necessários para a manutenção da população carcerária.
Segundo o especialista, além da estrutura física, o encarceramento exige investimentos em alimentação, vigilância, profissionais em quantidade suficiente, transporte, tecnologia, atendimento de saúde e manutenção das unidades.
Sant’Anna também avalia que a sustentabilidade do sistema depende de uma gestão mais estratégica dos recursos públicos e da superação da lógica do encarceramento em massa.
