Economia
Brasil busca crédito emergencial diante do protecionismo dos EUA
Durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou os desafios enfrentados
Durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou os desafios adicionais enfrentados pelo comércio exterior brasileiro diante das crescentes disputas geopolíticas e conflitos regionais.
Alckmin ressaltou que o aumento das pressões protecionistas globais e as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras têm impacto direto na competitividade do país. Segundo ele, o Brasil seguirá apostando nos canais diplomáticos e comerciais internacionais para defender o agronegócio e a indústria nacional.
Ao comentar o recente aumento das tarifas norte-americanas, Alckmin enfatizou que as barreiras afetam setores estratégicos da economia, especialmente máquinas e equipamentos. "Não vamos sair da mesa de negociação", afirmou o vice-presidente.
Ele também chamou atenção para as assimetrias no intercâmbio comercial, destacando que produtos dos EUA entram no Brasil com tarifas médias de 3,1%, sendo que, dos dez principais itens exportados pelos norte-americanos, sete têm tarifa zero. "A elevação das alíquotas compromete parcelas expressivas das exportações brasileiras para os Estados Unidos", alertou.
"Hoje, até 15% da nossa exportação, que vale de 5 a 7 bilhões de dólares, dependendo do ano, está muito afetada a indústria. Por isso, destinamos R$ 18,5 bilhões para apoiar as empresas afetadas", explicou Alckmin, citando linhas de crédito com juros menores e a atuação conjunta da Apex e do BNDES para ampliar mercados.
Alertas sobre o 'tarifaço' e custos de produção
Lideranças parlamentares também abordaram o tema durante o evento. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou para as sobretaxas, que dificultam o comércio bilateral, e destacou que a instabilidade internacional pressiona os custos dos produtores rurais.
"Os tarifaços dos Estados Unidos foram renovados com sobretaxas de 25% em vários produtos, acrescidos de mais 12,5%", afirmou a senadora, defendendo a continuidade do diálogo diplomático e empresarial com Washington.
Tereza Cristina ressaltou ainda o impacto dos conflitos internacionais no fornecimento de insumos agrícolas. "As guerras, especialmente no Oriente Médio, provocaram uma explosão dos custos de produção", disse, reforçando a importância de ampliar a produção nacional de fertilizantes para garantir a competitividade do setor.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, pontuou que "o papel do Estado não é substituir problemas, mas criar um ambiente para que quem produz possa fazer o seu melhor".
"Isso significa reduzir obstáculos, ampliar mercados, oferecer mais crédito, investir em ciência e tecnologia e aprimorar a regulação."
Por Sputinik Brasil
