Economia

FMI alerta para necessidade de ajuste fiscal e projeta crescimento moderado

Fundo recomenda um esforço fiscal equivalente a três pontos percentuais do PIB até 2031, visando conter o avanço do endividamento

Por Sputnik Brasil 23/07/2026 14h02
FMI alerta para necessidade de ajuste fiscal e projeta crescimento moderado
Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o Brasil enfrentará desafios importantes nos próximos anos - Foto: © Foto / Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o Brasil enfrentará desafios importantes nos próximos anos, destacando a necessidade de ajuste fiscal para evitar que a dívida pública supere 100% do PIB.

Segundo relatório divulgado pela mídia brasileira, o FMI estima inflação de 5,6% pelo IPCA em 2026, acima da meta de 3%, e prevê que a dívida bruta chegue a 97,8% do PIB. O Fundo recomenda um esforço fiscal equivalente a três pontos percentuais do PIB até 2031, visando conter o avanço do endividamento.

O crescimento econômico do Brasil deve ser moderado, com projeção de alta de 2,4% em 2026, impulsionado pela demanda interna e pelo fortalecimento das exportações de petróleo diante das tensões no Oriente Médio. No médio prazo, a expectativa é de estabilização do crescimento em 2,5%, apoiado pela reforma tributária aprovada em 2023.

A inflação deve convergir para a meta apenas em meados de 2028. O FMI avalia como adequada a postura cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom), diante das expectativas inflacionárias elevadas. Recomenda ainda que receitas extraordinárias do petróleo sejam poupadas, e não direcionadas a subsídios.

Para reduzir a dívida a cerca de 85% do PIB, o FMI sugere um ajuste fiscal de três pontos percentuais entre 2026 e 2031. Entre as medidas propostas estão a eliminação de despesas tributárias ineficientes, a desvinculação de benefícios do salário mínimo e o fim de pisos constitucionais para saúde e educação.

O cenário permanece sujeito a riscos, segundo o FMI. Uma escalada dos conflitos no Oriente Médio pode pressionar os preços de energia, elevar a inflação global e manter os juros internacionais elevados. No Brasil, um ajuste fiscal insuficiente pode aumentar o prêmio de risco e reduzir o investimento privado.

O relatório também destaca mudanças no comércio exterior: a China consolidou-se como principal parceira comercial do Brasil, respondendo por 30% das exportações em 2025. Já os Estados Unidos elevaram tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo uma tarifa adicional de 25% e a possibilidade de nova sobretaxa de 12,5%.

Por fim, o FMI aponta que a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia pode elevar as exportações agrícolas brasileiras em até 14% no longo prazo e aumentar a renda real em cerca de 0,22%.