Economia

Brasil avalia reciprocidade em resposta a tarifas dos EUA, afirma Alckmin

Alckmin destacou que a prioridade do governo é apoiar os setores mais prejudicados pelas tarifas

Por Sputnik Brasil com Redação 22/07/2026 05h05
Brasil avalia reciprocidade em resposta a tarifas dos EUA, afirma Alckmin
Foto: © Foto / Divulgação Palácio do Planalto

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta terça-feira (21) que a negociação com os Estados Unidos será a primeira opção do Brasil para solucionar a taxação de 25% sobre produtos brasileiros.

Após a primeira rodada de reuniões com setores produtivos mais impactados pela decisão do presidente norte-americano Donald Trump, que entra em vigor nesta quarta-feira (22), Alckmin ressaltou que o governo estuda todas as possibilidades, incluindo a Lei da Reciprocidade, mas que as medidas serão adotadas no "momento adequado".

"A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho pode deixar os dois cegos", declarou o vice-presidente. "A reciprocidade é: estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso. Temos instrumentos para isso e vamos agir no momento oportuno, da forma adequada."

Alckmin destacou que a prioridade do governo é apoiar os setores mais prejudicados pelas tarifas.

"Assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida, não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para, primeiro, socorrer quem precisa do governo brasileiro."

Segundo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu diálogo com os setores afetados, para confirmar dados e receber sugestões sobre como podem ser atendidos pelo governo.

Participaram da reunião os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda). Rosa adiantou que uma nova sobretaxa de 12,5% a vários países, incluindo o Brasil, pode ser anunciada na sexta-feira (24), o que pode elevar a taxação total para 37,5%, caso seja cumulativa.

"Estamos na expectativa de saber se serão cumulativos com os 25% ou não. Quando saiu a decisão dos 25%, conseguimos excluir a outra sessão e não houve acumulação."

O vice-presidente também afirmou que o governo mantém uma política permanente de busca por novos mercados para os setores impactados.

"Quando você fala numa tarifa de mais de 25%, reduz a competitividade da indústria nacional, que perde o mercado norte-americano e é substituída por outros. Por isso, precisamos agir rapidamente."

O ministro Márcio Elias Rosa reforçou o esforço do governo em diversificar mercados e mencionou missão à Índia com esse objetivo:

"Tivemos duas mil empresas apoiadas pela Apex no último ano, 74% já acessam outros mercados. Não significa que tenham substituído, mas já estão acessando outros mercados. Estou indo em missão para a Índia, vamos dialogar com outros parceiros para tentar levar, por exemplo, a BIMAC e o setor de saúde a essa iniciativa. O setor de máquinas pode exportar para a Índia, por exemplo. Precisamos buscar novos parceiros para esses setores atingidos, sobretudo", concluiu Rosa.