Economia

ApexBrasil lança plano de R$ 130 milhões para ampliar mercados no exterior

Iniciativa está prevista para agosto, com 57 setores econômicos, abrangendo 2,4 mil empresas exportadoras de diferentes áreas

Por Agência Brasil 17/07/2026 17h05
ApexBrasil lança plano de R$ 130 milhões para ampliar mercados no exterior
Plano será implementado em parceria com 57 setores econômicos, abrangendo 2,4 mil empresas exportadoras de diferentes área - Foto: Reprodução

Após o anúncio de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) prepara um plano de R$ 130 milhões, previsto para agosto, com o objetivo de diversificar as vendas externas do Brasil e reduzir os efeitos das novas barreiras comerciais norte-americanas.

Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a ApexBrasil informou que o plano será implementado em parceria com 57 setores econômicos, abrangendo 2,4 mil empresas exportadoras de diferentes áreas.

“A expansão para outros mercados já faz parte do nosso trabalho. O foco agora é a diversificação, buscando novas oportunidades diante do novo cenário do comércio internacional”, destacou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17).

Müller explicou que as prioridades são o mercado da União Europeia, especialmente após o recente acordo com o Mercosul, além dos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) – como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã –, que apresentam altas taxas de crescimento.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão no radar para a abertura de novos mercados para empresas brasileiras afetadas pelas tarifas norte-americanas.

“São países de rápido crescimento, com população jovem e crescente, que têm buscado o Brasil para parcerias em investimentos e demandam produtos que o país oferece”, afirmou o presidente da ApexBrasil.

Tarifação dos EUA

Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais "desleais" por parte do Brasil.

O governo brasileiro contesta as justificativas, afirmando que a medida tem motivação política e que Washington exigia abertura total de mercados sem contrapartidas. As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho.

Durante as negociações, a lista de produtos isentos passou de 615 para 699, elevando o valor isento de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões, segundo dados de 2025.

Segundo Müller, houve uma redução de cerca de US$ 2,6 bilhões nas exportações para os EUA no primeiro semestre do ano, reflexo das tarifas já aplicadas.

“Por outro lado, registramos aumento de US$ 3,1 bilhões nas exportações para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia e US$ 10,5 bilhões para a China, entre outros destinos importantes”, detalhou Müller.

Negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também são vistas como oportunidades para ampliar e diversificar o comércio exterior, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.

No primeiro semestre do ano, o Brasil registrou redução de cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA - Reuters/Jorge Silva/Proibida reprodução

Diversificação já em andamento

Müller ressaltou que o processo de diversificação já está em curso desde as primeiras tarifas impostas pelos EUA em 2025.

“Isso significa que 72% das 2,4 mil empresas apoiadas pela ApexBrasil e que exportam para os EUA já diversificaram seus mercados entre junho de 2025 e maio de 2026, incluindo pelo menos um novo destino em suas exportações”, afirmou.

O presidente da ApexBrasil destacou que há mercados mais acessíveis e outros que exigirão trabalho de médio ou longo prazo.

“Alguns setores vão demandar mais tempo e até a criação de novos mercados. Por exemplo, será necessário apresentar ao mercado chinês o potencial de determinados produtos brasileiros, como rochas ornamentais”, explicou.

Brasil é procurado pelo mundo

Apesar dos desafios, Müller avalia que o Brasil se destaca internacionalmente como um país “amigo e fornecedor estável”.