Economia

Brasil ganha 9,2 mil milionários, mas desigualdade segue elevada

Relatório do UBS aponta crescimento de 2,4% no número de milionários em 2025, enquanto o país permanece entre os mais desiguais do mundo

Por Redação 30/06/2026 11h11
Brasil ganha 9,2 mil milionários, mas desigualdade segue elevada
Relatório aponta avanço no número de milionários, mas mantém país entre os mais desiguais do mundo - Foto: Reprodução

O Brasil ganhou 9.215 novos milionários em 2025 e encerrou o ano com 386 mil pessoas detentoras de patrimônio superior a US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,1 milhões. Os dados são do Global Wealth Report 2026, divulgado pelo banco UBS nesta terça-feira (30).

O crescimento foi de 2,4% em relação ao ano anterior e manteve o Brasil como o país com o maior número de milionários da América Latina. Segundo o levantamento, cerca de 43 mil brasileiros possuem patrimônio entre US$ 5 milhões e US$ 100 milhões.

O estudo considera a riqueza como o conjunto de bens e investimentos, como dinheiro e imóveis, descontadas as dívidas. Para a análise, o UBS utiliza dados de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar da expansão do número de pessoas de alta renda, o relatório aponta que o Brasil continua entre os países com maior concentração de riqueza do mundo. O país ocupa a quarta posição entre os 56 mercados analisados, com coeficiente de Gini de 0,81, empatado com a África do Sul e atrás apenas de Rússia e Emirados Árabes Unidos.

O levantamento também mostra que aproximadamente 69% da população adulta brasileira possui patrimônio inferior a US$ 10 mil, cerca de R$ 51 mil, permanecendo na base da distribuição global de riqueza.

Outro dado destacado é o aumento superior a 50% da riqueza conjunta dos bilionários brasileiros em 2025, impulsionado tanto pela valorização dos patrimônios quanto pelo surgimento de novos bilionários.

O estudo ainda revela que as dívidas representam 23,4% da riqueza bruta no Brasil, uma das maiores proporções entre os países avaliados. Já os ativos financeiros, como dinheiro em conta, aplicações, ações, fundos de investimento e previdência privada, correspondem a 73,3% da riqueza bruta dos brasileiros.

Mesmo com o crescimento do número de milionários, a riqueza média por adulto no país recuou 3,13% desde 2020, quando considerada em moeda local e descontada a inflação.

Em nível global, a riqueza pessoal aumentou 10,8% em 2025, mais que o dobro do ritmo registrado nos dois anos anteriores. O mundo ganhou quase 1 milhão de novos milionários, totalizando 57,5 milhões de pessoas, enquanto o número de bilionários chegou a 3.302. Segundo o UBS, embora a riqueza tenha crescido globalmente, os ganhos permaneceram concentrados nas camadas de maior patrimônio.