Economia

Kennedy Calheiros aponta eucalipto como nova fronteira econômica de Alagoas

O próximo passo poderá ser a implantação de um polo moveleiro, agregando valor à produção local e ampliando a geração de empregos

Por Blog de Edivaldo Junior 25/06/2026 12h12
Kennedy Calheiros aponta eucalipto como nova fronteira econômica de Alagoas
Kennedy Calheiros conversa com Edivaldo Junior. - Foto: Reprodução

A cadeia produtiva do eucalipto, construída ao longo da última década em Alagoas, pode estar prestes a dar um novo salto. Depois da consolidação do reflorestamento comercial e do surgimento de novas indústrias ligadas à madeira, o próximo passo poderá ser a implantação de um polo moveleiro, agregando valor à produção local e ampliando a geração de empregos.

A avaliação é do presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Alagoas, Kennedy Calheiros, durante entrevista ao podcast "Fala, Líder" apresentado por Edivaldo Junior, na CBN Maceió (veja aqui a íntegra da entrevista bno Youtube).

Segundo ele, a expansão do projeto da Caetex — joint venture formada pela Dexco (antiga Duratex) e o Grupo Carlos Lyra — cria as condições necessárias para atrair uma grande indústria de móveis para Alagoas.

"A base está pronta. O investimento maior já foi realizado. O eucalipto está em idade de corte. Agora o próximo passo é trazer a indústria", afirmou.

Para Kennedy, o Estado vive um momento semelhante ao de regiões que transformaram a madeira em uma poderosa cadeia industrial, gerando riqueza e empregos qualificados.

"Se trouxermos as empresas para fabricar móveis a partir de Alagoas, a circulação de riquezas será muito maior. Veja o exemplo de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, além de polos no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, onde a indústria moveleira gera milhares de empregos muito bem remunerados", destacou.

Um projeto construído ao longo de quase duas décadas

A expansão do eucalipto em Alagoas não aconteceu por acaso.

Os primeiros incentivos ao reflorestamento começaram em 2007 e ganharam força a partir de 2014, quando a então Duratex decidiu investir no Estado e criou, em parceria com o Grupo Carlos Lyra, a Caetex Florestal.

O projeto substituiu antigas áreas de cana-de-açúcar por florestas plantadas de eucalipto, formando uma base florestal voltada inicialmente ao abastecimento de uma futura fábrica de painéis MDF no Nordeste.

O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 72 milhões, envolvendo o arrendamento de cerca de 13,5 mil hectares.

Hoje, a Caetex possui cerca de 20 mil hectares plantados e trabalha para ampliar essa área para aproximadamente 40 mil hectares, consolidando um dos maiores projetos de silvicultura do Nordeste.

Uma cadeia produtiva que já movimenta a economia

A aposta de Kennedy parte de uma realidade que já começou a ser construída.

O eucalipto deixou de ser apenas um projeto florestal para se transformar em uma cadeia produtiva que abastece diferentes segmentos da economia alagoana.

Em Marechal Deodoro, a Veolia implantou uma usina de biomassa que utiliza eucalipto para fornecer vapor industrial à unidade da Braskem, substituindo o gás natural e reduzindo significativamente as emissões de carbono.

Também cresceram empresas dedicadas à fabricação de paletes, madeira tratada para o agronegócio, mourões, postes, madeira serrada, estruturas para construção rural e insumos destinados à construção civil.

Alagoas também já conta com indústrias especializadas no beneficiamento de madeira de reflorestamento, formando uma base produtiva que praticamente não existia há pouco mais de dez anos.

O próximo passo: agregar valor

Na avaliação de Kennedy Calheiros, a chegada da indústria moveleira representa a etapa mais importante desse processo.

Ele lembra que Alagoas já teve forte tradição na fabricação de móveis, com empresas como a Forene — durante anos considerada a maior fábrica de móveis da América Latina — além de outras indústrias instaladas no Distrito Industrial de Maceió.

A diferença, segundo ele, é que agora o Estado passa a reunir uma base florestal capaz de abastecer uma cadeia produtiva permanente.

"Não estamos falando apenas de plantar eucalipto. Estamos falando de criar uma nova indústria, gerar empregos qualificados e diversificar a economia de Alagoas", resumiu.

Números confirmam a expansão


Os indicadores reforçam a transformação da silvicultura em Alagoas.

A área plantada com eucalipto passou de 2,5 mil hectares em 2013 para quase 28 mil hectares em 2023. Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura e da Sedics, o Estado alcançou aproximadamente 42 mil hectares de florestas plantadas em 2025, impulsionado principalmente pelos investimentos da Caetex e de novos produtores.

A produção de madeira em tora atingiu 561 mil metros cúbicos em 2023, enquanto Alagoas passou a responder por 88,5% de toda a produção nordestina destinada a outras finalidades, consolidando-se como principal produtor da região.

O avanço integra as ações do Plano ABC+ Alagoas, voltado à agricultura de baixo carbono. Além do potencial econômico, as florestas plantadas apresentam produtividade entre 60 e 80 metros cúbicos por hectare ao ano — muito acima da média nacional de 39 m³ por hectare — e contribuem para o sequestro de carbono, fortalecendo também a agenda ambiental do Estado.

Se a expectativa apresentada por Kennedy Calheiros se confirmar, Alagoas poderá repetir a trajetória de estados que transformaram a indústria moveleira em um dos principais motores da economia regional. A matéria-prima já existe. A cadeia produtiva começa a ganhar escala. O desafio agora é transformar madeira em indústria, empregos e riqueza.