Economia

Fabricação de alimentos lidera geração de empregos em 2024, aponta IBGE

Em 2024, o Brasil contava com 358,4 mil empresas industriais, que juntas pagaram R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações

Por Agência Brasil com Redação 24/06/2026 10h10
Fabricação de alimentos lidera geração de empregos em 2024, aponta IBGE

A fabricação de produtos alimentícios foi a principal responsável pela geração de empregos na indústria brasileira em 2024, empregando 2,1 milhões de pessoas. O total de trabalhadores no setor industrial chegou a 8,7 milhões, com destaque para as indústrias de transformação, que concentraram 97,1% desse contingente.

Outras atividades de destaque foram a confecção de artigos de vestuário e acessórios (551,8 mil empregos), fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (517,1 mil), e fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (491,9 mil).

Em 2024, o Brasil contava com 358,4 mil empresas industriais, que juntas pagaram R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.

Os dados são da Pesquisa Industrial Anual: Empresa e Produto (2024), divulgada nesta quarta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A receita bruta total das empresas industriais atingiu R$ 8,8 trilhões, sendo R$ 7,4 trilhões provenientes da venda de produtos e serviços industriais, R$ 695,9 bilhões de revenda e serviços não industriais e R$ 706 bilhões de outras receitas.

A receita líquida de vendas (RLV), calculada após deduções de impostos, vendas canceladas e descontos, chegou a R$ 6,8 trilhões. O Valor de Transformação Industrial (VTI) somou R$ 2,6 trilhões, dos quais 88,8% vieram das indústrias de transformação.

Segundo o IBGE, o VTI representa a riqueza efetivamente gerada pela atividade industrial, sendo a diferença entre o valor bruto da produção e os custos operacionais.

“Representa a riqueza efetivamente gerada pela atividade industrial”, afirmou Marcelo Miranda, gerente de Análise e Disseminação da pesquisa, em entrevista à Agência Brasil.

As indústrias de transformação responderam por 92,9% da receita líquida de vendas da indústria nacional em 2024. A fabricação de produtos alimentícios concentrou 23% do total da RLV, seguida pela fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (10,1%), produtos químicos (9,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (8,9%) e metalurgia (6,4%).

“A fabricação de produtos alimentícios é extremamente representativa. É um dado significativo do Brasil. A economia brasileira depende fortemente da produção e fabricação de alimentos, o que se confirmou em 2024”, acrescentou Miranda.

Em produtividade, a extração de petróleo e gás natural liderou, gerando R$ 13,3 milhões por trabalhador.

Empresas com 500 ou mais empregados foram responsáveis por 67,9% da receita líquida, somando R$ 4,6 trilhões. Empresas médias (100 a 499 empregados) representaram 17,4%; pequenas, 8,7%; e microempresas, 6,1%. O IBGE destaca que, embora haja muitas empresas de menor porte, a maior parte da receita está concentrada nas grandes firmas.

Os salários, retiradas e outras remunerações totalizaram R$ 481,1 bilhões, com 94,9% desse valor pago pelo setor de transformação. O salário médio industrial foi de 3 salários mínimos, sendo 5,4 mínimos no setor extrativo e 2,9 mínimos na transformação. Destaque para a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com salário médio de 7,9 mínimos.

A “razão de concentração de ordem 8” (R8), que mede o percentual do VTI das oito maiores empresas do setor, ficou em 20,2% em 2024. No setor extrativo, o índice foi de 50,1%; nas indústrias de transformação, 20,4%. A extração de carvão mineral apresentou a maior concentração (96,5%), enquanto a confecção de vestuário e acessórios teve a menor (9,5%).

Em 18 das 27 unidades da Federação, a fabricação de alimentos liderou em valor da transformação industrial. O Sudeste concentrou 60,3% do VTI industrial, seguido pelo Sul (19,1%), Nordeste (8,4%), Norte (6,3%) e Centro-Oeste (6,0%).

“A concentração regional é um traço persistente da estrutura industrial brasileira, associada à formação histórica do parque industrial, infraestrutura, mercado consumidor, redes logísticas e localização de cadeias produtivas”, analisou o IBGE.

São Paulo foi o principal estado em VTI industrial, com 34,5%. O estado se destaca pela diversidade de atividades, incluindo alimentos, químicos, veículos, máquinas, metalurgia, farmacêuticos, borracha e plástico.

O Rio de Janeiro, impulsionado por petróleo e derivados, ficou com 12,8%, seguido de Minas Gerais (10,8%), com destaque para mineração, metalurgia e alimentos.

O Sul é o segundo polo industrial brasileiro, com Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina entre os principais estados em VTI. A região se destaca pelos segmentos de alimentos, máquinas, veículos, metalmecânica, móveis e têxteis.

No Norte, Amazonas se sobressai pelo polo industrial de Manaus, com foco em eletrônicos e equipamentos, enquanto o Pará é destaque em mineração, especialmente de metais.

Segundo Marcelo Miranda, o Amazonas é a única unidade federativa onde a fabricação de produtos de informática, eletrônicos e ópticos lidera o valor da transformação industrial.

“O Amazonas é a unidade mais relevante em valor da transformação industrial do Norte, devido à Zona Franca de Manaus”, explicou Miranda.

Na região Nordeste, Bahia e Pernambuco lideram com indústrias de químicos, derivados de petróleo, alimentos e bebidas. No Centro-Oeste, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se destacam pela agroindústria, alimentos e biocombustíveis.

Para Miranda, o grande destaque da pesquisa PIA 2024 é o desempenho da fabricação de produtos alimentícios e sua importância para a economia brasileira, especialmente na indústria de transformação, conectando toda a cadeia produtiva do campo à indústria.

“Mostra o quanto a cadeia produtiva dos alimentos é importante na economia brasileira, não só em pessoal ocupado, mas também em salários pagos e receitas, com destaque em 18 das 27 unidades da Federação”, avaliou Miranda.

Sobre o delay na divulgação, Miranda explicou que o processo envolve a espera pelo fechamento do ano fiscal e análise de dados, o que resulta em uma defasagem de cerca de um ano e meio. A divulgação é anual, e mudanças metodológicas impedem comparações diretas com edições anteriores.