Economia
Nova plataforma conecta investidores chineses à bolsa brasileira
A iniciativa conecta as bases da B3, a bolsa de valores brasileira, à ferramenta utilizada por gestores de recursos, bancos, seguradoras e corretoras chinesas, criando uma ponte direta entre investidores asiáticos e ativos brasileiros
O Brasil deu mais um passo para estreitar os laços com o mercado financeiro chinês. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou nesta quarta-feira (24) do lançamento de uma parceria que permitirá a disponibilização dos dados do mercado de capitais brasileiro na Wind Financial Terminal, principal plataforma de informações financeiras da China.
A iniciativa conecta as bases da B3, a bolsa de valores brasileira, à ferramenta utilizada por gestores de recursos, bancos, seguradoras e corretoras chinesas, criando uma ponte direta entre investidores asiáticos e ativos brasileiros.
A parceria integra uma missão oficial da Fazenda à China, com o objetivo de ampliar a cooperação financeira, atrair investimentos e avançar em pautas ligadas à transição ecológica.
Dados em tempo real
Com a integração, usuários institucionais chineses terão acesso a informações do mercado brasileiro, como:
- cotações de ativos;
- índices de mercado;
- estatísticas de negociação;
- dados de referência;
- séries históricas.
Segundo o Ministério da Fazenda, a medida reduz a distância entre investidores e oportunidades no Brasil, ao facilitar análises, comparações de mercado e decisões de alocação de recursos.
Antes do evento em Xangai, Durigan destacou que a iniciativa fortalece a transparência e contribui para posicionar o país como destino de investimentos internacionais.
“O Brasil tem se consolidado como um porto seguro e dinâmico para o capital estrangeiro. Ao integrarmos os dados da B3 à principal plataforma financeira da China, estamos construindo uma ponte de transparência que reduz distâncias e dá aos investidores asiáticos as ferramentas necessárias para participarem ativamente do nosso crescimento”, declarou.
O governo brasileiro avalia que o maior acesso às informações do mercado nacional pode diversificar as fontes de financiamento da economia e aumentar a presença de investidores chineses no país.
A expectativa é que a integração entre as plataformas contribua para fortalecer a cooperação financeira bilateral e amplie o fluxo de capital estrangeiro para setores estratégicos da economia brasileira.
Missão à China
O lançamento da plataforma ocorre durante viagem oficial de Durigan a Xangai e Pequim, com foco em ampliar a cooperação econômica entre Brasil e China. A missão, que vai até sexta-feira (26), envolve discussões sobre instrumentos de financiamento, investimentos sustentáveis e integração dos mercados financeiros dos dois países.
Entre os temas tratados estão:
- emissão de títulos Panda Bonds (títulos públicos brasileiros no mercado chinês);
- promoção do Programa Eco Invest Brasil;
- Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP);
- desenvolvimento do mercado regulado de carbono.
De acordo com a Fazenda, a missão busca mobilizar recursos para projetos de transformação ecológica e fortalecer cadeias produtivas.
Além de captar o capital necessário para a descarbonização da economia brasileira, o Brasil pretende modernizar a relação institucional com o país asiático, atrair investimentos produtivos, fomentar inovação e fortalecer a integração das cadeias de valor.
Relação estratégica
A agenda inclui ainda encontros com instituições financeiras e organismos multilaterais. Também nesta quarta-feira (24), Durigan participou, como convidado, do Fórum Brasil–China sobre Finanças Verdes. Organizado por entidades não governamentais, o evento debate o papel das finanças sustentáveis na relação sino-brasileira.
Na tarde desta quarta-feira (horário chinês), Durigan reuniu-se em Xangai com a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff. O NDB também é conhecido como Banco do Brics.


