Economia

Mercado eleva projeção de inflação e prevê Selic em 14% ao ano em 2026

Estimativa consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central (BC)

Por Agência Brasil 22/06/2026 14h02
Mercado eleva projeção de inflação e prevê Selic em 14% ao ano em 2026
Estimativa consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central (BC - Foto: Reprodução

A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, subiu de 5,3% para 5,33% em 2026.

A estimativa consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central (BC), que reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Mesmo após o anúncio de acordo para o fim da guerra no Oriente Médio — fator que pressiona os preços de combustíveis e alimentos — a previsão para o IPCA ao final deste ano foi elevada pela décima quinta semana consecutiva, ultrapassando o teto da meta perseguida pelo BC.

Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%.

Em maio, o aumento dos preços dos alimentos pressionou a inflação oficial, que fechou o mês em 0,58%. O IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, segundo o IBGE, já acima do teto da meta.

Para 2027, a projeção da inflação subiu de 4,1% para 4,15%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,7% e 3,5%, respectivamente.

    Taxa Selic

    Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente definida em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, realizada na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela terceira vez consecutiva, mesmo diante das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio.

    De junho de 2025 a março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O ciclo de cortes teve início em março, impulsionado pela queda da inflação. Contudo, o conflito no Oriente Médio, ao elevar preços de combustíveis e alimentos, dificultou uma redução mais acelerada dos juros.

    O Copom destacou que a permanência de incertezas quanto ao desfecho do conflito e os impactos já sentidos foram determinantes para a decisão de reduzir a Selic de forma mais cautelosa. O comitê reforçou que o ritmo dos próximos ajustes dependerá dos dados econômicos, visando garantir o retorno da inflação à meta.

    No Focus desta semana, analistas elevaram a estimativa para a taxa básica até o fim de 2026, de 13,75% para 14% ao ano. O próximo encontro do Copom para definir a Selic está marcado para os dias 4 e 5 de agosto, quando o mercado espera a última redução do juro em 2026.

    Para 2027 e 2028, a previsão é de Selic em 12% e 10,25% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.

    Taxas de juros elevadas encarecem o crédito, tornando mais caro o uso do cartão, o parcelamento de produtos e o financiamento imobiliário, o que reduz o consumo e pode frear a economia. Por outro lado, cortes na Selic tendem a baratear o crédito, estimular produção e consumo, mas exigem atenção ao controle inflacionário.

    PIB e câmbio

    Segundo o Boletim Focus, a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2026 subiu de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a expectativa permanece em 1,7%. Já para 2028 e 2029, o mercado projeta expansão de 2% ao ano.

    No primeiro trimestre de 2026, a economia do país cresceu 1,1% em relação ao último trimestre de 2025. No acumulado de 12 meses, houve expansão de 2%, conforme o IBGE.

    Em 2025, a economia brasileira avançou 2,3%, com crescimento em todos os setores e destaque para a agropecuária, marcando o quinto ano consecutivo de alta.

    O Focus desta semana aponta previsão de dólar a R$ 5,20 no fim de 2026. Para o final de 2027, a estimativa é de R$ 5,27.