Economia
Lucro recorde dos bancos em 2025 reacende debate sobre impacto da Selic alta
O setor bancário brasileiro alcançou um lucro histórico de R$ 255 bilhões
O setor bancário brasileiro alcançou um lucro histórico de R$ 255 bilhões em 2025, mesmo com a Selic mantida em 15%, reacendendo discussões sobre o real impacto dos juros elevados no desempenho das instituições.
O resultado, divulgado por um jornal de grande circulação, evidencia a força dos bancos em um cenário de crédito pressionado, com modalidades como rotativo do cartão e cheque especial ultrapassando taxas de 400% e 100% ao ano, respectivamente. Apesar do início da queda da Selic apenas em 2026, o setor manteve alta rentabilidade.
Dados do Banco Central apontam que, embora o avanço do lucro tenha sido "mais moderado", o desempenho foi sustentado por provisões maiores e desaceleração do crescimento do crédito, mantendo a rentabilidade alinhada à expansão do sistema financeiro. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) subiu para 16,76%, maior patamar desde 2021, superando bancos de países desenvolvidos, ainda que diferenças regulatórias dificultem comparações diretas.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o resultado dos bancos brasileiros está em linha com mercados emergentes, citando dados da The Banker. Países como México, Peru e África do Sul apresentam retornos superiores, enquanto Argentina e Turquia distorcem o cenário devido à inflação elevada.
Especialistas atribuem o lucro recorde não apenas à Selic alta, mas também à combinação de spreads elevados, queda gradual da inadimplência, maior rigor na concessão de crédito e ganhos de eficiência operacional. O setor também se beneficiou da diversificação das receitas, com destaque para crédito, serviços, gestão de recursos, seguros e mercado de capitais.
Investimentos em digitalização, automação e aprimoramento de modelos de risco elevaram a produtividade e reduziram custos, contribuindo para o novo patamar de lucratividade. O fortalecimento de áreas como gestão de patrimônio e atendimento a clientes de alta renda tornou os resultados menos dependentes do ciclo tradicional de crédito.
Apesar do desempenho robusto, a Febraban rebate a tese de que juros altos favorecem os bancos. Segundo a entidade, a Selic elevada encarece a captação, aumenta a inadimplência e restringe a concessão de crédito, limitando receitas financeiras e de serviços. Essa visão é compartilhada pelo governo, que defende crescimento atrelado ao consumo das famílias, dependente do crédito.
Em relação ao impacto do PIX, a Febraban avalia que a ferramenta amplia a bancarização e fortalece o mercado, mas reduz receitas de serviços. Ainda assim, considera que o saldo tende a ser positivo para o sistema financeiro, embora ressalte a necessidade de estudos mais detalhados para mensurar seus efeitos.


