Economia

Combustíveis no Brasil resistem à crise global e têm alta menor

Levantamento aponta que gasolina e diesel subiram menos que a média mundial durante tensões no Oriente Médio, enquanto etanol ficou mais barato no país

Por Esther Barros 19/06/2026 05h05
Combustíveis no Brasil resistem à crise global e têm alta menor
. - Foto: Reprodução

Em meio às turbulências no mercado internacional de petróleo provocadas pelas tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, os combustíveis comercializados no Brasil registraram aumentos mais moderados do que os observados em diversos países. É o que revela um levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que analisou a evolução dos preços entre fevereiro e junho de 2026.

Segundo o estudo, a gasolina teve alta de 4,9% no mercado brasileiro, bem abaixo da média internacional de 17,5%. Já o diesel acumulou aumento de 13,6%, enquanto a média global alcançou 23,3% no mesmo período.

O levantamento também mostra que outros países sentiram de forma mais intensa os efeitos da valorização do petróleo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a gasolina ficou 36,1% mais cara, enquanto a Argentina registrou reajustes superiores a 21%.

Na avaliação do Ineep, a diferença nos índices brasileiros está relacionada às políticas de preços adotadas pelo governo federal e a medidas emergenciais implementadas para reduzir os impactos das oscilações do mercado internacional sobre os consumidores. A estratégia contribuiu para conter uma pressão maior sobre os preços internos, mesmo diante da instabilidade geopolítica.

Apesar do cenário considerado positivo no curto prazo, o instituto alerta que essas iniciativas não eliminam os desafios estruturais do setor. O estudo defende investimentos permanentes para ampliar a capacidade nacional de refino e fortalecer a Petrobras, reduzindo a dependência das oscilações do dólar e das cotações internacionais do petróleo.

Outro destaque do boletim é o comportamento do etanol hidratado. Diferentemente da gasolina e do diesel, o biocombustível apresentou queda de 7,3% entre fevereiro e junho, impulsionada pelo início da safra 2026/2027 e pelo aumento da oferta, fator que ajudou a aliviar os gastos dos consumidores que utilizam veículos flex.