Economia
Tarifa dos EUA pode ampliar riscos comerciais para exportações brasileiras
Proposta americana prevê sobretaxa de 12,5% sobre produtos do Brasil e acende alerta para impactos na imagem e na competitividade do país
A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros pode gerar impactos comerciais e riscos à imagem do país no mercado internacional. O alerta foi feito pela adidância agrícola brasileira em Washington após manifestação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Segundo a avaliação, a inclusão do Brasil entre as economias que não possuem proibição efetiva à importação de bens produzidos com trabalho forçado pode afetar a percepção internacional sobre as cadeias produtivas nacionais, especialmente em setores ligados à rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade trabalhista.
As investigações norte-americanas tiveram início em março de 2026 e envolveram 60 países. De acordo com o USTR, o Brasil está entre as 54 economias que não teriam adotado ou aplicado de forma efetiva medidas para impedir a importação desses produtos.
A proposta de sobretaxa poderá ser somada a outra tarifa de 25% que também está em análise pelos Estados Unidos e que envolve questões ambientais, como o desmatamento.
Apesar disso, alguns produtos ficaram fora da possível taxação, entre eles carne bovina, frutas tropicais, castanhas, café, chá, mate, especiarias, cacau, sucos e determinados alimentos processados. Por outro lado, itens como etanol, açúcar, pescados, mel, café solúvel e madeira estão entre os segmentos do agronegócio que podem ser diretamente afetados.
O documento encaminhado pela adidância recomenda que os setores produtivos verifiquem se seus produtos integram a lista de exceções e avaliem os possíveis impactos econômicos da medida. A orientação também é preparar manifestações técnicas demonstrando eventuais prejuízos às cadeias de suprimentos e aos próprios importadores norte-americanos.
A representação agrícola brasileira já havia alertado anteriormente para possíveis riscos regulatórios e reputacionais envolvendo a agropecuária nacional. Entre as preocupações estão o aumento das exigências de rastreabilidade, a adoção de novas barreiras tarifárias e os efeitos indiretos sobre o comércio internacional de commodities como soja e algodão.
Conforme a análise da adidância, a estratégia mais adequada é defender que eventuais restrições comerciais sejam baseadas em evidências concretas e específicas para cada produto, evitando medidas amplas que possam atingir cadeias produtivas já submetidas a controles de legalidade, sustentabilidade e rastreabilidade.


